Macacos de imitação?

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Ninguém é perfeito, nem as pessoas, nem as organizações.

Uma das estratégias para o auto-aperfeiçoamento é, para cada área a ser melhorada, encontrar um modelo a ser seguido e tentar imitá-lo. Grosso modo, pode ser comparado à técnica de benchmarking:

Benchmarking é simplesmente o método sistemático de procurar os melhores processos, as ideias inovadoras e os procedimentos de operação mais eficazes que conduzam a um desempenho superior.
(Christopher E. Bogan)

O problema é quando essa estratégia é usada de forma incorreta:

  • copiando cegamente processos e ideias inadequados fora de seu contexto original; ou
  • fazendo uma cópia mal acabada, pouco parecida com o original.

Historicamente, os empresários brasileiros copiam costumes norte-americanos que podem aumentar o consumo (melhor dizendo, aumentar o lucro) em nosso país. Foi assim com várias coisas, desde o “bom velhinho” até os hambúrgueres, passando por expressões em inglês como on sale e off, tão comuns hoje em dia.

Não podemos nos esquecer, é claro, do Halloween (ou Dia das Bruxas), importado como curiosidade pelos cursos de inglês há alguns anos e que hoje em dia está disseminado, apesar de seu significado não ser entendido por um grande número de pessoas (e sua grafia ser errada por um número maior ainda).

A última moda importada é a Black Friday, trazida para o país em 2010. Curiosamente, nem traduziram seu nome para “Sexta-feira Negra”, talvez por não saberem explicar seu significado (ou por medo de serem obrigados a renomeá-la para algo como “sexta-feira afrodescendente” pela patrulha do politicamente correto)…

Voltando ao assunto, no último dia 23, o que infelizmente se viu foram:

  • sites fora do ar (com uma demanda inferior à norte-americana, diga-se de passagem);
  • indisponibilidade de produtos (no dia planejado para ter o maior consumo do ano?!);
  • denúncias de preços inflados e “maquiados”; e
  • clientes insatisfeitos e irritados.

O pior é que, pela experiência do ano anterior, já havia expectativa de problemas antes da sexta-feira. Vários sites recomendavam que o consumidor fosse cauteloso (eu mesmo fiz isso nos artigos Psicologia de mercearia e Dicas para a Sexta-feira Negra). Por que, mesmo assim, o faturamento foi o dobro do ano passado?

Comparando a Black Friday brasileira com o setor de automóveis brasileiro, talvez tenhamos uma ideia:

Por que baixar o preço se o consumidor paga?
(Presidente da PSA Peugeot Citroën, na Revista Webmotors)

Claro que os empresários brasileiros estão errados em copiar, da Black Friday norte-americana, apenas a parte do lucro e esquecerem os descontos reais e o respeito ao consumidor. Mas a natureza dos empresários brasileiros já é conhecida há anos! Por que os consumidores, previamente avisados, copiaram da Black Friday apenas o consumismo desenfreado e não se preveniram?

Como bem resumiu Andre Noel do Vida de Programador:
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7 comentários sobre “Macacos de imitação?

  1. Lembro que o primeiro povo dos tempos modernos a fazer “cópias de forma científica” foi o japonês. Eles conseguiram se reerguer e se tornar uma das maiores potências do mundo, depois da segunda grande guerra, copiando, aperfeiçoando e vendendo seus produtos.

    Na lista de palavras e modas usadas no Brasil ressalto a da delivery, aqui agora tem delivery para tudo…

    Quando à onda da black friday, a melhor que vi aqui foi:

    BLACK FRIDAY BRAZIL: TUDO PELA METADE DO DOBRO!

    Abs,

    José Rosa.

  2. Leitura obrigatória para os brasileirinhos da nova geração, eles estão tão empolgados com essas importações adaptadas pelos espertinhos que demoram se dar conta que se ninguém der bola essa besteirada acaba ou terá que trazer vantagens reais.

    Ricardo

  3. A INTRODUÇÃO EM NOSSA CULTURA DA CULTURA NORTE AMERICANA TEM SUA ORIGEM NO ACORDO MEC X USAID (EMPRESA MANTIDA PELO CAPITAL NORTE AMERICANO).

    Os Acordos MEC-USAID foram implementados no Brasil com a lei 5.540/68. Foram negociados secretamente e só se tornaram públicos em novembro de 1966 após intensa pressão política e popular. Foram estabelecidos entre o Ministério da Educação (MEC) do Brasil e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês) para reformar o ensino brasileiro de acordo com padrões impostos pelos EUA. Apesar da ampla discussão anterior sobre a educação, iniciada ainda em 1961, essas reformas foram implantadas pelos militares que tomaram o poder após o Golpe Militar de 1964.

    A reforma mais visível ocorreu na renomeação dos cursos. Os antigos cursos primários (5 anos) e ginasial (4 anos) foram fundidos e renomeados como primeiro grau, com oito anos de duração. Já o antigo curso científico foi fundido com o clássico e passou a ser denominado segundo grau, com três anos de duração. O curso universitário passou a ser denominado terceiro grau. Essa reforma eliminou um ano de estudos, fazendo com que o Brasil tivesse apenas 11 níveis até chegar ao fim do segundo grau enquanto países europeus e o Canadá possuem um mínimo de 12 níveis.

    Implantação
    Para a implantação do programa o acordo impunha ao Brasil a contratação de assessoramento Norte-americano e a obrigatoriedade do ensino da língua inglesa desde a primeira série do primeiro grau. Os técnicos oriundos dos Estados Unidos criaram a reforma da educação pública que atingiu todos os níveis de ensino.

    Segundo Márcio Moreira Alves, crítico severo do acordo, O MEC-USAID, na verdade tinha como proposta inicial privatizar as escolas públicas. Matérias como História tiveram sua carga horária reduzida para que estudantes da época não tivessem seus olhos abertos em relação à ditadura.

    Consequências dos Acordos
    A implantação deste regime de ensino também retirou matérias consideradas obsoletas do currículo, tais como: Filosofia, Latim, Educação Política, cortou-se a carga horária de várias matérias e inseriu outras como Educação Moral e Cívica.

    Os líderes estudantis
    Os líderes estudantis brasileiros discordavam da ingerência de um país estrangeiro nos assuntos educacionais de nosso país. Isto originou diversos movimentos reivindicatórios que foram reprimidos pela máquina ditatorial brasileira. Em função do movimento crescente, aliado a outras reivindicações, as organizações estudantis foram postas na clandestinidade.

    A repressão e a opinião pública mundial
    A repressão então gerou assim uma violenta oposição liderada por diversos setores contra os acordos MEC-USAID, o que chamou a atenção da opinião pública mundial. Pressionado, o governo militar acabou criando em 1968 um grupo de estudos encarregado de trabalhar na reforma com uma proposta abrasileirada.

    Fonte: Wikipédia.

    • Seja bem-vindo, Luiz, interessante essa informação!

      Depois de ler tudo e identificar o que era comentário seu e o que era citação, tomei a liberdade de mexer um pouco na formatação.

      Espero que não se importe…

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