Que tal uma vida sem notas?

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Não sou muito fã da revista Veja. Acho-a parcial e já tive um qüiproquó com ela em virtude do Software Livre (eles disseram que era obrigatório usar Software Livre nos órgãos federais). Mas, como meu sogro gosta e é assinante, eu leio.

De vez em quando, eles publicam algo que acho interessante. Dessa vez, foi um artigo de Stephen Kanitz na seção Ponto de vista. Ou, direto no site do autor.

Nele, o autor reflete sobre o nosso método tradicional de avaliação por notas, considerando-o inadeqüado para nossa vida profissional.

Concordei com muito do que ele disse. Discordei apenas da parte em que ele sugere que não devemos forçar nossos filhos a estudar. Na minha forma de ver, eles são inexperientes para tomar essa decisão de forma consciente e não podemos recuperar o tempo perdido com uma decisão errada. Quando ele notar que estava errado e se arrepender, anos valiosos terão passado…

Alguns trechos que achei interessantes:

[…] O que significa dar uma “nota” a um ser humano? Que naquele momento da prova, ele sabia x% de tudo o que os professores gostariam que ele soubesse da matéria. Mas saber “algo” significa alguma coisa hoje em dia? Significa que você criará “algo” no futuro? Que você será capaz de resolver os inúmeros problemas que terá na vida? Que será capaz de resolver os problemas desta nação? […]

[…] O sistema de “dar” notas está tão enraizado no nosso sistema educacional que nem percebemos mais suas nefastas conseqüências. Muitos alunos estudam para tirar boas “notas”, não para aprender o que é importante na vida. Depois de formados, entram em depressão pois não entendem por que não arrumam um emprego apesar de terem tido excelentes “notas” na faculdade. Foram enganados e induzidos a pensar que o objetivo da educação é passar de ano, tirar nota 5 ou 7, o mínimo necessário. […]

[…] Sem notas, os piores alunos seriam obrigados a estudar, não poderiam mais colar nas provas e se auto-enganar. Provas não provam nada, o desempenho futuro na vida é que é o teste final. […]

E aí? O que você acha?

3 comentários sobre “Que tal uma vida sem notas?

  1. Concordo em gênero, número e grau: que tipo de instrumento teria uma precisão tão grande para avaliar o quanto um aluno aprendeu? Indo mais fundo: o que é aprender e com quantificar esse aprendizado?

  2. Eu não concordo. As provas não medem de forma quantitativa o aprendizado do aluno mas atribui ao aluno a responsabilidade e a necessidade de estar engajado na matéria dada. Uma criança não estuda se a mãe não a pressionar, o mesmo papel da mãe se atribui à prova para o aluno.

    • Alan,

      Concordar com você quanto à prova demonstrar ao aluno a necessidade de estar engajado na matéria dada. Tanto que não parei de dar notas aos meus alunos.

      Mas há alunos que realmente só "estudam para passar"… Acho que foi pensando neles que Kanitz escreveu esse artigo.

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