cliente_nunca_mais.jpgÉ incrível como fios de mouse e fones de ouvido embaraçam. Para evitar maiores aborrecimentos, terminei comprando um mouse e uns fones de ouvido retráteis.

Acontece que, há alguns dias, eu me esqueci que estava com os fones de ouvido e me afastei do computador, partindo o fio próximo ao conector. Já encomendei um novo par de fones de ouvido mas, enquanto ele não chega, pensei em consertar o conector defeituoso.

Hoje, aproveitei o horário de almoço para comprar um conector na Casa do Cartucho do Comércio. Minutos depois, notei que havia comprado um conector P1, menor que o conector P2 usado em computadores e voltei à loja, munido do cupom fiscal, na esperança de resolver o problema. Não adiantou, fui informado pelo gerente que a loja só troca produtos com defeito.

Após alguma insistência, fui informado que eles não tinham conector P2 para efetuar a troca. Sugeri devolverem o valor que eu havia pago no conector, um real e vinte centavos, ou até mesmo me devolverem o valor em mídias virgens (CD-R)… Não adiantou.

O interessante é que havia um outro cliente querendo trocar, pela segunda vez, um teclado defeituoso. O cliente insistia em receber um teclado de outra marca, mesmo pagando a diferença, mas o gerente, a exemplo do que fazia comigo, educadamente recusava.

Argumentei que o conector era barato e que não valia o risco de ter um cliente insatisfeito, mas o gerente não pareceu compreender, insistindo que, se eu quisesse trocar, voltasse outro dia. Puxa, vida, já comprei várias vezes lá (mídias, pentes de memória, suportes para notebook, um aparelho telefônico, revista de jogos e, claro, cartuchos) e eles pedem que eu volte outro dia para trocar um conector que custa menos que uma passagem de ônibus? Tenha dó! Parece uma das dicas do manual de “antiatendimento” ao cliente!

Para comparação, segue um texto bastante interessante sobre atendimento a clientes.

E eu continuei cliente!
Por Luiz Almeida Marins Filho

Levei meu velho terno para o tintureiro. Três dias depois ficava pronto. Volto ao tintureiro para buscar meu terno e o tintureiro depois de procurá-lo voltou e disse:

– Desculpe-me Sr. Marins. Nosso funcionário entregou seu terno por engano a uma outra pessoa. Peço desculpas. O senhor tem duas opções: ou o senhor me dá o valor do terno agora e eu lhe faço imediatamente um cheque ou o senhor espera uma semana, pois quem levou seu terno por certo o trará de volta ao perceber o engano. Assim que o terno chegar eu o levarei pessoalmente ao senhor.

Como eu podia esperar uma semana, esperei.

Um dia antes de completar a semana, recebo um telefonema do meu tintureiro dizendo:

– Sr. Marins, seu terno não apareceu. Quero que o senhor me dê o valor do terno que eu faço questão de lhe levar um cheque pessoalmente amanhã.

Dei um valor sentimental para aquele velho terno e no dia seguinte pela manhã, estava em meu escritório o tintureiro com o cheque e mais dois convites para que eu e minha mulher jantássemos num restaurante fino da região.

Quando vi os dois convites disse ao tintureiro:

– Por que os convites para o jantar? O senhor já está me pagando o terno!

Ao que ele me respondeu:

– O cheque é para pagar o valor do terno que o senhor perdeu. Os convites para jantar são para que o senhor e sua esposa nos perdoem e continuem sendo nossos clientes…

Não preciso dizer que continuamos clientes do mesmo tintureiro!

Cada vez que me lembro desse caso, fico impressionado com a atenção aos detalhes que o tintureiro teve. Não ficou dando desculpas pela perda do terno. Ligou-me um dia antes e não um dia depois como a maioria faz. Pagou o valor do terno sem discutir se o valor dado era caro ou barato. Simplesmente assumiu o prejuízo e fez o cheque. E os convites para o jantar? Sem comentários!

Você e sua empresa fariam o mesmo?

A Casa do Cartucho, pelo visto, não. Bem, se eles não sabem quanto vale um cliente satisfeito, vamos ver se aprendem quanto custa um cliente insatisfeito

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