Qual a melhor escola (2)?

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Curioso! Mal acabei o artigo anterior, encontrei, na Revista Época, uma matéria semelhante (até mais extensa) sobre a escolha de escolas.

O conteúdo da Época também é de acesso exclusivo para assinantes (e meu sogro não tem uma assinatura que eu possa usar ). Portanto, só posso colocar alguns trechos que achei interessantes:

  1. Avalie o perfil de sua família – Não é fácil enxergar o que há, na prática, por trás das teorias. […] Na opinião dos especialistas, não existe a melhor escola do país, nem de sua cidade. A escolha tem de estar afinada com o perfil da família, compatível com sua visão de mundo. […] “Não existe escola boa ou ruim”, diz a psicóloga Evely Boruchovitch, professora do Departamento de Psicologia da Universidade de Campinas (Unicamp). “O que é bom para uma família pode ser ruim para outra.”
  2. Procure um ambiente complementar – É um equívoco freqüente repetir o padrão familiar. Os educadores sugerem que os pais busquem uma escola que funcione como o oposto do ambiente de casa. Crianças com dificuldades de disciplina precisam de limites e normas mais demarcados. Se a criança for dispersa e falante durante as aulas, não conseguirá cumprir as tarefas sem uma marcação cerrada e precisará de um sistema de ensino com disciplina mais rígida, que cobre prazos e acompanhe de perto as metas de estudo. Já crianças menos ousadas, tímidas, com dificuldades de expressão requerem ambientes em que sejam provocadas a expandir seus horizontes, a ir atrás de soluções para suas necessidades. Não se darão bem com um professor que estimule a competição em classe para ver quem responde mais rápido à questão proposta. Precisam de um tipo de ensino que abra espaço para todos, especialmente para os que não se destacam entre o grupo. […]
  3. Tenha objetivos claros – Os pais precisam estabelecer metas para uma educação. Querem desenvolver nos filhos a capacidade de pensar criticamente ou garantir-lhes uma posição de destaque no mercado de trabalho? O aprendizado cognitivo, privilegiado nas escolas mais tradicionais, também chamadas escolas conteudistas, é importante. Uma boa base cultural inclui saber nomes de fenômenos científicos, situar fatos em épocas históricas ou reconhecer o estilo literário de um autor clássico. Mas o domínio do conteúdo das disciplinas não é o único fator na formação de uma pessoa. “As escolas modernas já se preocupam igualmente com os aspectos afetivos e sociais do desenvolvimento”, diz Evely, da Unicamp. […]
  4. O aluno deve ser envolvido na escolha – Os argumentos dos filhos merecem ponderação, e eles têm de conhecer, antes da matrícula, as instituições
    finalistas na escolha dos pais. Mas a palavra final não pode ser deles. Principalmente no Ensino Fundamental, quando ainda não há maturidade suficiente para uma avaliação consistente. “A criança pode ser influenciada por uma quadra esportiva sofisticada ou até porque tem amigos na escola”, diz Evely. “Mas esse encantamento é passageiro. Se bem orientada na adaptação, ela rapidamente estabelece vínculos com as pessoas e o ambiente da escola.”
  5. O vestibular ou a vida? – A escolha dos pais é particularmente difícil no início do ensino médio. […] Devem escolher entre uma escola que coloca seus alunos nas melhores faculdades e outra voltada para o desenvolvimento humanista, que considera o vestibular apenas uma conquista decorrente do bom trabalho educacional. […] O que ajuda pais […] é saber que as duas opções tem conseqüências, segundo Maria Márcia, da Unicamp. Ela diz que a formação voltada para o sucesso no mercado de trabalho tende a forjar pessoas com tendência individualista, competitivas e refratárias ao trabalho em grupo. “É a geração que questiona os princípios de coletividade e acredita que é legítimo passar por cima dos mais fracos para alcançar seus objetivos”, diz Maria Márcia. A educação que prioriza os valores humanos, a comunidade e o ambiente tende a formar um cidadão com horizontes mais abertos, capaz de elaborar um projeto de vida gratificante. Mas esse cidadão, segundo Márcia, poderá levar mais tempo para entrar na faculdade. Ou, pelo menos, numa faculdade concorrida. Desastre? Essa é uma pergunta que só a família pode responder.

Apesar de alguns serem classificados como conteúdo exclusivo, a revista oferece, em seu site, alguns exemplos de boa educação no país (retirados de edições anteriores).

Além disso, é recomendado o Guia da Boa Escola. Infelizmente, como ainda não consegui acessar, terei que me contentar com as dicas transcritas pela revista. Seguem algumas:

  • Lição de casa
    É um bom sinal se a escola prepara o aluno para ser autônomo e fazer a lição sem depender dos pais.
    É um mau sinal se a escola privilegiar a memorização em suas lições.
  • Laboratórios
    É positivo se houver sempre um assistente de laboratório auxiliando o professor.
    É ruim se os laboratórios não tiverem vestígio de trabalho em andamento. Laboratório é para ser usado!
  • Ensino bilíngüe
    O currículo deve equilibrar o ensino sobre o país de origem da escola e o Brasil.
    O aluno não pode se sentir deslocado na turma, em meio a colegas de cultura diferente.
  • Internet pedagógica
    O acesso à internet deve ser usado para complementar o material fornecido em sala de aula.
    Não deve haver mais de dois alunos por equipamentos.
  • Atividades esportivas
    Devem auxiliar a criança a aceitar seus limites e os dos outros.
    Cuidado se a escola enfatizar a competição e o individualismo.
  • Ensino religioso
    A religião deve ser uma oportunidade para o aluno refletir sobre ética e solidariedade.
    Não deve, em hipótese alguma, ser um instrumento de segregação e doutrina, separando as pessoas por crenças.
  • Segurança
    É um bom sinal se existir preocupação em valorizar a paz na comunidade escolar.
    Cuidado se os aparatos de segurança distanciarem professores e alunos.

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