O método napoleônico de divisão de trabalho

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O texto abaixo circula na internet com autoria desconhecida. A versão reproduzida abaixo é adaptada de uma versão em inglês, encontrada no site de Luiz Marins. Não tenho como descobrir seu verdadeiro autor, nem sua veracidade, mas não é por isso que não podemos aprender algo com ele.

É curioso observar que as versões em português usam a palavra “ignorante”, enquanto essa versão em inglês usa a palavra “stupid” (estúpido, em português). Creio que essa diferença tenha grande importância porque, segundo o dicionário:

  • ignorante é alguém sem instrução, sem conhecimento sobre determinado assunto; e
  • estúpido é alguém sem inteligência, sem discernimento.

Ou seja, o ignorante pode ser instruído, enquanto o estúpido encontra dificuldades em raciocinar. Portanto, usarei aqui a palavra “estúpido” por mais que o politicamente correto exija o contrário (ou justamente por isso)…

Sabedoria Napoleônica

Adaptado do texto de Luiz Almeida Marins Filho*

Dizem que Napoleão Bonaparte classificava seus soldados em quatro tipos:

  • inteligentes com iniciativa;
  • inteligentes sem iniciativa;
  • estúpidos sem iniciativa; e
  • estúpidos com iniciativa.

Ele determinava a patente (e a função) de cada soldado de acordo com a classe a que pertencia:

  • os inteligentes com iniciativa tornavam-se comandantes, responsáveis pela estratégia;
  • os inteligentes sem iniciativa, como oficiais, cumpriam ordens superiores com diligência;
  • os estúpidos sem iniciativa iam para a frente de batalha, como “buchas de canhão”; e
  • os estúpidos com iniciativa, Napoleão os detestava e não os queria em seus exércitos.

Esses princípios ainda podem nos ser úteis. Não temos em nosso “exército napoleônico”, nossa organização, esses três tipos de “soldados”? E não são todos eles necessários? Pense bem:

  • um exército composto apenas por estrategistas (diretores) certamente não vence nenhuma batalha, alguém precisa participar da luta;
  • oficiais obedientes (gerentes e supervisores) sem estratégia ou sem soldados a quem liderar também não podem vencer;
  • soldados dedicados (empregados), sem um comando, uma liderança, ou sem estratégia tampouco obtém sucesso na batalha.

Portanto, precisamos desses três tipos de soldados para vencer cada batalha, exatamente como os três tipos de colaboradores, para vencermos os desafios do mercado competitivo em que vivemos. Porém, assim como Napoleão, precisamos nos livrar, o mais cedo possível, dos estúpidos com iniciativa. Esses indivíduos são capazes de:

  • cometer os mais terríveis erros e depois dissimuladamente tentar ocultá-los;
  • fazer produtos sem qualidade porque decidem mudar processos definidos;
  • fazer o que não devem, falar o que não devem, envolver-se com quem não devem e até ouvir o que não devem, e depois alegar que “não sabiam que não podiam fazer isso”; e
  • pôr a perder boas idéias, bons projetos, bons clientes, bons fornecedores ou comprometer a imagem da organização.

Eles são, portanto, um grande risco para o desenvolvimento e o progresso de qualquer organização, pública ou privada. Assim como Napoleão, não precisamos deles.

Fonte: Napoleon’s Wisdom (Anthropos Consulting).

Se for verdade que Napoleão agia assim, faz sentido que o texto seja tão extremista. De qualquer forma, esse extremismo impede que concordemos plenamente com ele: uma pessoa sem iniciativa (inteligente ou não) não serve para muita coisa. Pessoalmente, considero que uma função que não exige iniciativa pode ser desempenhada por uma máquina, dispensando uma pessoa para tarefas mais elaboradas.

Além disso, acho muito difícil encontrar uma pessoa estúpida em todos os aspectos.

Mas se existir, é bom fugir dela mesmo!

Um comentário sobre “O método napoleônico de divisão de trabalho

  1. Napoleão não é aquele, diz a lenda, que dormia por quinze minutos e já estava pronto para a guerra?

    Ignorante ele não era. Estúpido muito menos. Assim, é bom verificar o que ele dizia…

    Conhecimento se adquire. Para estupidez, mesmo a doentia, há tratamento. Agora, a falta de vontade, essa não tem jeito. Aquela que é anunciada pela palavrinha proibida na minha família: PREGUIÇA! Essa, só matando.

    abs,

    José Rosa.

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