O Dia dos Pais

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Como ocorre com o Dia das Mães, a versão moderna do Dia dos Pais surgiu nos Estados Unidos no início do século passado mas tem uma história muito mais antiga. Enquanto os registros mais antigos do Dia das Mães são da Grécia Antiga, a homenagem mais antiga a um pai remonta a 4 mil anos: segundo historiadores, um jovem babilônio, chamado Elmesu, esculpiu, numa tábua de argila, uma mensagem desejando saúde e vida longa a seu pai.

Quanto ao formato atual da comemoração, alguns crêem que surgiu em 1908, organizado por Grace Golden Clayton, em memória dos mortos numa explosão em uma mina. Outros defendem que originou-se dos esforços de Sonora Smart Dodd que, inspirada em Anna Jarvis, teria homenageado seu pai por criar sozinho seis filhos, após a morte da esposa.

Como o Dia das Mães, há quem defenda que deve ser chamado “Dia do Pai”, por se referir ao papel paterno, maior do que aqueles que o exercem. Ou seja, basta seguir o exemplo de Elmesu e escrever uma mensagem sincera e carinhosa…

Há vários textos, filmes e músicas homenageando os pais. Vou reproduzir um texto que, na minha opinião, resume a experiência de ser pai:

Saber ser pai

Por Artur da Távola

De todas as patifarias, perguntas boas, perguntas cretinas, mentiras deslavadas, e sujeira que a população assiste estarrecida nestes dias de CPIs na televisão, só acontecem alguns ESCASSOS E RAROS minutos de humanidade. É quando acusados e investigadores falam nos filhos. É o momento em que são pais. Isso me faz lembrar velhas idéias que tenho sobre o que é ser pai, pai que sou de três filhos de sangue, duas filhas do coração e sete netos deslumbrantes.

Ser pai é, acima de tudo, não esperar recompensas. Mas ficar feliz caso e quando cheguem. É saber fazer o necessário por cima e por dentro da incompreensão. É aprender a tolerância com os demais e exercitar a dura intolerância (mas compreensão) com os próprios erros.

Ser pai é aprender, errando, a hora de falar e de calar. É contentar-se em ser reserva, coadjuvante, deixado para depois. Mas jamais faltar no momento preciso. É ter a coragem de ir adiante, tanto para a vida quanto para a morte. É viver as fraquezas que depois corrigirá no filho, fazendo-se forte em nome dele e de tudo o que terá de viver para compreender e enfrentar.

Ser pai é aprender a ser contestado mesmo quando no auge da lucidez. É esperar. É saber que experiência só adianta para quem a tem, e só se tem vivendo. Portanto, é agüentar a dor de ver os filhos passarem pelos sofrimentos necessários, buscando protegê-los sem que percebam, para que consigam descobrir os próprios caminhos.

Ser pai é saber e calar. Fazer e guardar. Dizer e não insistir. Falar e orientar. Dosar e controlar-se. Dirigir sem demonstrar. É ver dor, sofrimento, vício, queda e tocaia, jamais transferindo aos filhos o que, a alma, lhe corrói. Ser pai é ser bom sem ser fraco. É jamais transferir aos filhos a quota de sua imperfeição, o seu lado fraco, desvalido e órfão.

Ser pai é saber ir-se apagando à medida em que mais nítido se faz na personalidade do filho, sempre como influência, jamais como imposição. É saber ser herói na infância, exemplo na juventude e amizade na idade adulta do filho. É saber brincar e zangar-se. É formar sem modelar, ajudar sem cobrar, ensinar sem o demonstrar, sofrer sem contagiar, amar sem receber.

Ser pai é, enfim, colher a vitória exatamente quando percebe que o filho a quem ajudou a crescer já, dele, não necessita para viver. É quem se oculta na obra que realizou e sorri, sereno, por tudo haver feito para deixar de ser importante.

Texto publicado no CooJornal nº 429, em 16/07/2005.

Quantas vezes me aborreci, achando chatas as orientações que recebi? Quantas vezes resmunguei ao ouvir que deveria ser compreensivo? Ou não acreditei ao ouvir que, quando ficasse mais velho, entenderia? Pois é… Estou descobrindo que ser pai é uma arte, especialmente no exercício da paciência!

Quando um homem se dá conta que seu pai talvez estivesse certo, normalmente tem um filho que acha que ele está errado.

(Charles Wadsworth)

2 comentários sobre “O Dia dos Pais

  1. Assim como aquele outro do Dia das Mães, este post ficou muito bom. E se, como diz minha mãe, “ser mãe é padecer no paraíso”, o que dizer de ser pai? Bom o texto do Artur da Távola (onde anda ele, foi Senador e sumiu ?). Agora o Elmesu você foi longe… e ainda se trata de uma “rima rica”!!!

    ab,

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