Mantenha seus amigos perto…

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E o mês de setembro terminou com apenas dois artigos, comprometendo, mais uma vez, meus planos de dominar o mundo escrever com mais regularidade. Portanto, nada melhor que um artigo nos primeiros dias de outubro para compensar.

Enquanto vivemos, nos relacionamos com muitas pessoas. A maioria não passa de meros conhecidos, de quem, quando muito, sabemos o nome e que cumprimentamos diariamente. Alguns são colegas, de escola ou do trabalho, com os quais convivemos durante bastante tempo e dos quais lembramos vagamente quando temos um ataque de nostalgia (como era mesmo o nome dele?). Poucos são nossos amigos, pessoas com as quais podemos contar nas necessidades. E raríssimos poderão ser chamados de bons amigos, em quem confiamos e com os quais, mesmo após longas separações, retomamos a amizade como se nada tivesse acontecido. Há também os melhores amigos, mas esses são hors concurs.

De forma análoga, os inimigos nos acompanham por toda a vida. Na verdade, como duas faces de uma mesma moeda, amigos e inimigos têm entre si uma linha tênue e, às vezes, difusa. Por essa razão, nosso relacionamento com eles sempre foi motivo de reflexão e controvérsia.

Ontem, uma conversa com meu grande amigo José Rosa lembrou-me de um texto que havia lido há algum tempo. Seu autor, Max Gehringer, abriu mão de uma carreira de sucesso como executivo empresarial para ganhar a vida compartilhando suas experiências de trabalho e dando dicas de relacionamento profissional, motivação e liderança. Seus textos têm em comum o bom humor e a capacidade de induzir à reflexão. O texto abaixo não foge à regra…

O sucesso consiste em não fazer inimigos

Baseado no original por Max Gehringer*

Nas relações humanas no trabalho, existem apenas 3 regras:

  1. Colegas passam, mas inimigos são para sempre. A chance de uma pessoa se lembrar de um favor que você fez a ela vai diminuindo à taxa de 20% ao ano. Cinco anos depois, o favor será esquecido. Não adianta mais cobrar. Mas a chance de alguém se lembrar de uma desfeita se mantém estável, não importa quanto tempo passe. Exemplo: Se você estendeu a mão para cumprimentar alguém em 1997 e a pessoa ignorou sua mão estendida, você ainda se lembra disso em 2006.
  2. A importância de um favor diminui com o tempo, enquanto a importância de uma desfeita aumenta. Favor é como um investimento de curto prazo. Desfeita é como um empréstimo de longo prazo. Um dia, ele será cobrado, e com juros.
  3. Um colega não é um amigo. Colega é aquela pessoa que, durante algum tempo, parece um amigo. Muitas vezes, até parece o melhor amigo. Mas isso só dura até um dos dois mudar de emprego. Amigo é aquela pessoa que liga para perguntar se você está precisando de alguma coisa. Ex-colega que parecia amigo é aquela pessoa que você liga para pedir alguma coisa, e ela manda dizer que no momento não pode atender.

Durante sua carreira, uma pessoa normal terá a impressão de que fez um milhão de amigos e apenas meia dúzia de inimigos. Estatisticamente, isso parece ótimo. Mas não é. A Lei da Perversidade Profissional diz que, no futuro, quando você precisar de ajuda, é provável que quem mais possa ajudá-lo é exatamente um daqueles poucos inimigos. Portanto, profissionalmente falando, e pensando a longo prazo, o sucesso consiste, principalmente, em evitar fazer inimigos. Porque, por uma infeliz coincidência biológica, os poucos inimigos são exatamente aqueles que têm boa memória.

* Administrador de empresas e escritor, autor de diversos livros sobre carreiras e gestão empresarial.

Além de útil, o texto ainda contém uma contradição curiosa: devemos evitar fazer inimigos porque podemos precisar deles no futuro. Mas, justamente por terem uma melhor memória, os inimigos são mais capazes de nos reconhecer quando precisamos deles. E agora?

Além das horas de necessidade, há quem defenda que os inimigos são úteis para nosso crescimento pessoal. Leonardo da Vinci, por exemplo, foi sábio e poético ao dizer que:

O ódio revela muita coisa que permanece oculta ao amor. Lembra-te disso e não desprezes a censura dos inimigos.
Leonardo di ser Piero da Vinci

Friedrich Schiller, com a tradicional frieza alemã, também pensava de forma semelhante:

É-me caro o amigo, mas posso usar o inimigo também: o amigo mostra-me o que posso, o inimigo o que devo fazer.
Johann Christoph Friedrich von Schiller

Talvez o mais sensato seja evitar fazer os inimigos a todo custo, como sugere Gehringer, mas, não sendo possível, seguir o conselho de Isaac Newton:

Deve-se aprender sempre, até mesmo com um inimigo.
Sir Isaac Newton

Qualquer que seja sua linha de ação, “O sucesso consiste em não fazer inimigos” e outros textos na mesma linha estão disponíveis no livro O Melhor de Max Gehringer na CBN. Outros bons livros do autor são Big Max: Vocabulário Corporativo e Pergunte ao Max.

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3 comentários sobre “Mantenha seus amigos perto…

  1. Eita, e agora? Ao mesmo tempo que fico lisonjeado com a menção de meu nome neste seu post tenho que confessar que não gosto muito do Max Gehringer. Prefiro muito mais o Luiz Marins. Ab amigo!

    • Pronto, conseguiu me deixar curioso (como se isso fosse muito difícil…)! Por que você não gosta muito de Max Gehringer? Não que eu o ache melhor que Luiz Marins, apenas têm estilos diferentes…

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