jlcarneiro.com http://www.jlcarneiro.com Porque agora todo mundo é "pontocom"! Fri, 23 Jan 2015 17:39:05 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.1 São defensores da liberdade de expressão… http://www.jlcarneiro.com/sao-defensores-da-liberdade-de-expressao/ http://www.jlcarneiro.com/sao-defensores-da-liberdade-de-expressao/#comments Fri, 23 Jan 2015 05:29:16 +0000 http://www.jlcarneiro.com/?p=2125 Anteontem, o atentado aos cartunistas do jornal Charlie Hebdo completou duas semanas. Entendo que uma tragédia como essa mexa com todos mas, nesses últimos 15 dias, vi muita gente lucr… se manifestando como forma de homenagear as vítimas. O próprio […]Continue lendo ]]>

Anteontem, o atentado aos cartunistas do jornal Charlie Hebdo completou duas semanas. Entendo que uma tragédia como essa mexa com todos mas, nesses últimos 15 dias, vi muita gente lucr… se manifestando como forma de homenagear as vítimas.

O próprio jornal Charlie Hebdo, por exemplo, publicou uma edição especial com uma tiragem que totaliza, até o momento, cinco milhões de cópias. Além da tiragem 83 vezes maior do que a normal, a edição especial será publicada em 25 países, inclusive o Brasil, onde deverá chegar na próxima semana.

Agora, pense comigo:

  • a edição especial tem as mesmas 16 páginas da edição normal, portanto, é razoável supor que tenha aproximadamente o mesmo custo unitário;
  • o preço de venda também é o mesmo de uma edição normal (3€ em Paris; 3,30€ na Bélgica; 4€ na Alemanha, 3,50€ na Espanha e em Portugal, por exemplo); e
  • nos outros países o preço certamente será maior, pois a rede de distribuição não é costumeira e os custos não estão otimizados (p. ex., no Brasil o preço será R$29,90).

Não podemos ignorar que, para garantir sua subsistência após a tragédia, e auxiliar com a impressão da edição especial, o jornal ainda contou com:

Agora faça as contas: uma homenagem impressionante! :$$$:

É claro que também houve aqueles que se manifestaram sem nenhum ganho econômico aparente. Sem segundas intenções, apenas por desejarem defender a liberdade de expressão (ou para “seguir a onda”).

charliehebdo_parismarch.jpg

Líderes mundiais na marcha pela liberdade de expressão em Paris.

Entretanto, mesmo entre eles, houve casos curiosos, como as personalidades públicas que fizeram questão de aparecer como apoiadores da liberdade de expressão. Entre elas, há alguns políticos que parecem não gostar tanto da liberdade de expressão quanto fazem parecer.

Ah, deixe pra lá! Estou imaginando coisas, com certeza foi apenas “mera coincidência”…

edgarvasques_charlie.jpg
Fonte: Edgar Vasques Blogaleria.

Será?!

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A relatividade das manifestações http://www.jlcarneiro.com/relatividade-das-manifestacoes/ http://www.jlcarneiro.com/relatividade-das-manifestacoes/#comments Wed, 21 Jan 2015 03:12:20 +0000 http://www.jlcarneiro.com/?p=2120 Parece que temporada de manifestações está começando novamente!

Você já observou como a reação das pessoas às manifestações varia de um lugar para o outro?

cinismoilustrado_manifestacoes.pngFonte: Cinismo Ilustrado.

Como diria Einstein: tudo depende do ponto de referência adotado

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A personalidade e a individualidade hoje http://www.jlcarneiro.com/personalidade-e-individualidade-hoje/ http://www.jlcarneiro.com/personalidade-e-individualidade-hoje/#comments Fri, 16 Jan 2015 03:04:40 +0000 http://www.jlcarneiro.com/?p=2115 Continue lendo ]]> Uma reflexão para a sexta-feira: você sabe o significado das palavras “personalidade” e “individualidade”?

Personalidade

(per.so.na.li.da.de) – Substantivo feminino

  1. Qualidade de pessoal.
  2. Caráter essencial e exclusivo de uma pessoa.
  3. Aquilo que a distingue de outra.

Fonte: Dicionário Michaelis.

  • Individualidade consciente.
  • Caráter pessoal e original.

Fonte: Dicionário Dicio. 

Individualidade

(in.di.vi.dua.li.da.de) – Substantivo feminino

  1. O que constitui o indivíduo.
  2. Conjunto das qualidades que caracterizam um indivíduo.

Fonte: Dicionário Michaelis.

  • Característica ou particularidade do que é individual.
  • Qualidade daquilo que está presente com o indivíduo: identidade cultural.
  • Reunião das características que diferencia uma pessoa ou alguma coisa.
  • Conjunto das qualidades que compõe a originalidade, fazendo com que algo ou alguém seja único.

Fonte: Dicionário Dicio. 

caetanocury_tirinhapoema0006.jpgFonte: Téo & O Mini Mundo.

willtirando_individualidade_verde.pngFonte: Will Tirando.

caetanocury_medplan_2011.jpgFonte: Téo & O Mini Mundo.

Que bom que vivemos em um mundo de indivíduos cheios de personalidade, não? :evil:

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O que você canta em aniversários? http://www.jlcarneiro.com/o-que-voce-canta-em-aniversarios/ http://www.jlcarneiro.com/o-que-voce-canta-em-aniversarios/#comments Mon, 12 Jan 2015 03:42:06 +0000 http://www.jlcarneiro.com/?p=2108 Que música você costuma cantar na hora de apagar as velinhas em um aniversário? Se você deu de ombros e respondeu “Parabéns pra você”, saiba que você canta a música errada desde criança… No final da década de 1930, chegou […]Continue lendo ]]>

Que música você costuma cantar na hora de apagar as velinhas em um aniversário?

Se você deu de ombros e respondeu “Parabéns pra você”, saiba que você canta a música errada desde criança…

No final da década de 1930, chegou no Brasil a moda de cantar a música “Happy Birthday to You”, recém-surgida nos Estados Unidos. A letra era (e ainda é) bastante simples, basicamente a frase happy birthday to you (parabéns a você) repetida quatro vezes, com uma delas trazendo o nome do aniversariante.

Incomodado com aquela “invasão musical”, o cantor Almirante (Henrique Foréis Domingues), nacionalista fervoroso, promoveu um concurso na Rádio Tupi para escolher uma letra brasileira para a melodia estrangeira.

O júri, composto por Olegário Mariano, Cassiano Ricardo e Múcio Leão (todos membros da Academia Brasileira de Letras), encantou-se com o versinho proposto por uma das 5 mil cartas por dois motivos: era um dos poucos que tinha quatro linhas diferentes, a maioria dos candidatos preferiu repetir a mesma frase quatro vezes, e era (muito) mais criativo que a letra original…

Parabéns a Você

Por Léa Magalhães*
berta_celeste.jpg
Parabéns a você,
nesta data querida,
muita felicidade,
muitos anos de vida!

* Codinome usado por Bertha Celeste Homem de Mello, farmacêutica, poetisa e professora pindamonhangabense.

O versinho vitorioso era obra de Bertha Celeste Homem de Mello, filha única de um casal de fazendeiros, formada em farmácia, 40 anos, casada e mãe de uma filha.

A autora passou o resto da vida insistindo para que as pessoas o cantassem direito. Quem canta – como muita gente faz – Parabéns prá você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida, está cometendo três erros gravíssimos:

  1. na primeira linha, o certo é “Parabéns a você”;
  2. na segunda, o correto é “nesta”, e não “nessa”; e
  3. na terceira, “muita felicidade” é singular e não plural.

Dona Bertha costumava dizer que felicidade é um estado de espírito; ‘felicidades’, plural, não existe. O que existe é um maior ou menor grau de felicidade.

capa_disco_feliz_aniversario.jpg

Capa do disco que lançou a música “Parabéns a Você”, em 1961.

Fonte: Revista Superinteressante.

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Desejos para o próximo ano http://www.jlcarneiro.com/desejos-para-o-proximo-ano/ http://www.jlcarneiro.com/desejos-para-o-proximo-ano/#comments Fri, 26 Dec 2014 13:42:08 +0000 http://www.jlcarneiro.com/?p=2106 O novo ano se avizinha e, com ele, as costumeiras mensagens de ano-novo. Vi várias mensagens bonitas este ano, mas uma tem se propagado rapidamente nas redes sociais. Só no Whatsapp já a recebi umas quatro vezes em três grupos […]Continue lendo ]]>

O novo ano se avizinha e, com ele, as costumeiras mensagens de ano-novo. Vi várias mensagens bonitas este ano, mas uma tem se propagado rapidamente nas redes sociais. Só no Whatsapp já a recebi umas quatro vezes em três grupos diferentes (sim, foram repetidas no mesmo grupo).

É uma mensagem muito simples e direta, mas também muito bonita. Acho que o que mais me agradou foi o contraste entre os vários desejos tão comuns a todos nós.

Que o próximo ano…

Por Mauricio Louzada*

mauricio_louzada.jpgQue o próximo ano seja um ano especial, cheio de conquistas, mas que com cada uma delas venha uma nova percepção do que realmente é ser feliz.

Que você consiga uma casa maior, mas que quase todos os cômodos fiquem vazios por sua família estar unida ao redor de uma única mesa.

Que você compre o carro dos seus sonhos, e descubra que ele pode ficar parado na garagem enquanto você caminha de mãos dadas por um parque.

Que você realize o desejo de comprar uma TV enorme, 3D, com home theater, mas que ela permaneça desligada durante o jantar, para que você possa ouvir como foi maravilhoso o dia da sua família.

Que sua conta bancária esteja satisfatoriamente recheada, mas sobretudo, que você tenha em seu bolso um ou dois reais para comprar algodão doce e saboreá-lo sujando os dedos.

Que você tenha um excelente plano de saúde, mas que se esqueça que ele existe por não precisar usá-lo.

Que você jante em badalados restaurantes para descobrir que a maior chef que existe, cozinha todos os dias dentro da sua casa.

Que sua internet trafegue em altíssima velocidade, mas que sua melhor rede seja aquela pendurada entre duas árvores, onde você possa ouvir os pássaros cantarem.

Que você tenha um smartphone de última geração, mas que não precise usá-lo para dizer às pessoas mais importantes da sua vida o quanto elas são especiais.

Que você tenha um tablet, mas que use mais as pontas dos seus dedos para fazer cafunés do que para mandar e-mails.

Que você possa comprar boas roupas, bolsas e relógios, mas que sua verdadeira marca seja a “inspiração” deixada pelos lugares por onde passará.

E que assim, conquistando tudo o que você sempre quis, você descubra que mais importante do que aquilo que você tem, é o que você faz com tudo o que conquistou.

* Mauricio Louzada é escritor e palestrante motivacional.

Então, feliz ano-novo a todos!

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Bate o sino, pequenino… http://www.jlcarneiro.com/bate-o-sino-pequenino/ http://www.jlcarneiro.com/bate-o-sino-pequenino/#comments Sun, 21 Dec 2014 00:15:51 +0000 http://www.jlcarneiro.com/?p=2105 Para mim, 2014 foi um ano difícil. Teve bons momentos, é claro, mas também trouxe grandes dificuldades: da perda de pessoas muito queridas à montanha-russa que é a educação de jovens, passando pelo diagnóstico e tratamento de doenças graves em […]Continue lendo ]]>

Para mim, 2014 foi um ano difícil.

Teve bons momentos, é claro, mas também trouxe grandes dificuldades: da perda de pessoas muito queridas à montanha-russa que é a educação de jovens, passando pelo diagnóstico e tratamento de doenças graves em meus pais.

Em vários momentos eu me senti como um nadador cansado que bateu braços e pernas por muito tempo apenas para não se afogar…

Mas faltam poucos dias para o fim do ano e eu, tal qual aquele nadador, ainda estou nadando. Então, só me resta agradecer por tudo de bom que aconteceu e pelas duras lições que tive que aprender à força.

Afinal, como disse Carlos Drummond de Andrade, quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial e está quase na hora de começar de novo, porque a praia ainda está longe!

Assim como fiz em 2013, deixo uma mensagem que traz a força do nordestino, especialmente o sertanejo, que não desiste nunca! Agradeço ao meu grande amigo José Rosa por me enviar esse vídeo tão inspirador:

Desejo a todos um Feliz Natal e um 2015 com muita saúde, paz e amor!

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Sobre políticos, caravanas e cães… http://www.jlcarneiro.com/sobre-politicos-caravanas-e-caes/ http://www.jlcarneiro.com/sobre-politicos-caravanas-e-caes/#comments Fri, 24 Oct 2014 04:03:36 +0000 http://www.jlcarneiro.com/?p=2059 Como hoje é sexta-feira, vamos relaxar um pouco. E, como é a sexta-feira que antecede o segundo turno das eleições de 2014, não custa nada refletir um pouco também… Fonte: Alberto Montt en dosis diarias.]]>

Como hoje é sexta-feira, vamos relaxar um pouco.

E, como é a sexta-feira que antecede o segundo turno das eleições de 2014, não custa nada refletir um pouco também…


politicos_caes_caravana.jpg
Fonte: Alberto Montt en dosis diarias.

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Conheça o Projeto Truco! http://www.jlcarneiro.com/conheca-o-projeto-truco/ http://www.jlcarneiro.com/conheca-o-projeto-truco/#comments Wed, 01 Oct 2014 21:18:01 +0000 http://www.jlcarneiro.com/?p=2054 Alguma vez, ao terminar de assistir a um programa eleitoral, você já ficou com uma “pulga atrás da orelha”, imaginando quanto de tudo o que foi dito é verdade e quanto é… exagero? Continuando o tema do artigo anterior, trago […]Continue lendo ]]>

Alguma vez, ao terminar de assistir a um programa eleitoral, você já ficou com uma “pulga atrás da orelha”, imaginando quanto de tudo o que foi dito é verdade e quanto é… exagero?

Continuando o tema do artigo anterior, trago hoje o Projeto Truco!, uma iniciativa da Agência Publica de Jornalismo Investigativo para checar as informações veiculadas pelo candidatos no horário eleitoral da TV com o mesmo tom provocativo e bem humorado do jogo de cartas bem conhecido em vários estados brasileiros.

A Agência Pública é um centro independente de jornalismo voltado para a produção de grandes reportagens. Durante o projeto (a campanha eleitoral deste ano) o esforço da equipe está voltado para a fiscalização dos programas. Cerca de dez jornalistas se revezam na confirmação das informações apresentadas pelos candidatos na TV.

A proposta é que as equipes de cada candidato provem os dados e promessas que foram ditos em seus respectivos programas. Aos dados checados, são atribuídas cartas, de acordo com o que for apurado:

projeto_truco_selos.png

  • Não é bem assim… – informação exagerada, distorcida ou discutível;
  • Blefe – a informação é falsa. São usados dados de outras fontes (de preferência independentes) e auxílio de especialistas para confrontar a versão apresentada;
  • Tá certo, mas peraí… – informação correta mas que precisa ser contextualizada. Existem mais dados que o eleitor precisa saber do que os que foram apresentados durante o programa eleitoral;
  • Zap! – informação correta e também relevante dita pelo candidato. Para isso, são apresentados números que confirmam e expandem o que foi falado;
  • Truco! – informações insustentáveis e promessas grandiosas, sem explicação de como serão implementadas. É um desafio público enviado às equipes de campanha para que o candidato responsável pela frase dê mais explicações ao eleitor. As respostas obtidas serão divulgadas assim que a campanha responder; e
  • Que medo! – algumas propostas podem causar uma série de transtornos ou afetar negativamente alguns grupos da população. Esse selo serve como alerta nesses casos e vem acompanhado de um texto que mostra problemas que aquela ideia traz.

Além da checagem de dados, o projeto traz ainda duas séries de reportagens:

  • Cartas na Mesa – apresenta a população negativamente afetada por ações, projetos e propostas dos principais candidatos; e
  • Rodada de Promessas – uma compilação das promessas apresentadas pelos presidenciáveis durante o horário eleitoral em áreas como educação, saúde, segurança e economia.

Apesar de estarmos nas vésperas da eleição, a análise dos programas já exibidos está disponível, vale a pena conferir!

Infelizmente, só descobri esse projeto hoje… Espero que deem continuidade a ele nas próximas eleições, seria uma ferramenta muito útil!

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Defenda-se da retórica eleitoral! http://www.jlcarneiro.com/defenda-se-da-retorica-eleitoral/ http://www.jlcarneiro.com/defenda-se-da-retorica-eleitoral/#comments Wed, 01 Oct 2014 00:04:06 +0000 http://www.jlcarneiro.com/?p=2051 Assim como os advogados, os políticos ganham a vida empregando a retórica. Eu me refiro à arte de persuadir por meio da linguagem. Como diria o Capitão Nascimento: – O conceito de retórica… em grego, ρητορική… em latim, rhetorica… em […]Continue lendo ]]>

Assim como os advogados, os políticos ganham a vida empregando a retórica. Eu me refiro à arte de persuadir por meio da linguagem. Como diria o Capitão Nascimento:

– O conceito de retórica… em grego, ρητορική… em latim, rhetorica… em francês, rhétorique… Os senhores estão anotando?

São vários discursos bonitos na época da eleição mas, alguns meses depois, geralmente surge uma certa frustração (ou decepção mesmo) no eleitor. Quem nunca ouviu uma antiga piada sobre o “Inferno em tempo de campanha”?

(Nunca estudei sobre o assunto, mas talvez isso seja um dos fatores que contribuem para o desinteresse do brasileiro com política…)

Assim como acontece na natureza, com o tempo os eleitores estão aprendendo que é necessário criar defesas contra as técnicas empregadas em discursos durante as campanhas eleitorais. Essa semana, li uma matéria muito interessante na Revista Língua Portuguesa que tenta ajudar nisso.

Segundo a matéria, a morte de um dos candidatos a presidente da república teve um enorme impacto nas estratégias dos demais candidatos: uma disputa que vinha sendo marcada como uma das mais propositivas e menos autofágicas sofreu uma reformulação retórica completa e brusca, e não apenas nas chapas presidenciais!

Por essa razão, a revista reuniu algumas das maiores falácias corriqueiras em períodos eleitorais com o objetivo de ajudar o eleitor que, mesmo mais amadurecido (segundo os especialistas), precisa estar atento quando um candidato não detalha como e quando vai fazer o que promete nem quanto vai gastar.

(Em outras palavras, precisa estar atento para não ser enganado.)

Recomendo a aquisição porque, além dessa, há várias outras matérias na revista que valem a pena! Entretanto, como faltam pouquíssimos dias para a eleição, seguem alguns pontos principais:

Usar o “estilo Odorico Paraguaçu”

Suspeite do uso de hipérboles, rodeios e eufemismos (apesar de, em tempos de politicamente correto, evitar eufemismos ser difícil). Como, por exemplo, candidatos que dizem “realinhamento de tarifas públicas” em vez de “aumento de energia e gasolina”. Ou candidatos que fogem da palavra “racionamento” com as expressões “desconforto hídrico” ou “crise de mananciais”…

Manter-se no vazio comunicativo

O período eleitoral costuma ser dominado pela generalização vazia. Candidatos abusam de palavras que causam impacto sem necessariamente os comprometer com algo concreto. Algumas delas são: “desafios”, “esperança”, “conquistas”, “continuidade”, “renovação”, “novo” e “mudança”. As duas últimas, por exemplo, aparecem nos slogans de vários candidatos. Também são comuns expressões com as quais todos concordam mas nada especificam, como “a cidade precisa de saúde” e “o futuro do país depende da educação”, por exemplo.

Apelar a reservas mentais

Concordar com a literalidade da afirmação, mas violar o seu princípio. Por exemplo, perguntado se é a favor ou contra o aborto, o candidato responde: Não conheço ninguém que seja a favor do aborto. A resposta não corresponde à pergunta feita (qual a opinião própria do candidato, afinal?). Respostas como essas criam uma reserva mental, permitindo que o interlocutor interprete a resposta sem que o candidato se comprometa de fato.

Distorcer deliberadamente a posição do oponente

Tática frequente, ainda mais sob forte polarização, como a reta final de uma campanha eleitoral. Consiste em atribuir ao oponente um ponto de vista falso (ou distorcer o ponto de vista verdadeiro) sobre uma questão. Ao exagerar, desvirtuar ou simplesmente inventar um argumento desfavorável para o oponente, fica mais fácil apresentar a sua posição como razoável ou válida.
Normalmente, essa tática só é combatida com a apuração da verdade por parte dos eleitores, o que quase nunca acontece (como ocorre com os boatos que varrem a internet todos os dias).

Driblar o ônus da prova

Quem afirma algo tem a obrigação de prová-lo. É o chamado “ônus da prova”, mas muitos candidatos contrariam esse princípio deliberada e repetidamente. Desconfie ao menos das três maneiras mais frequentes de evitar a apresentação de evidências para sustentar um argumento:

  • considerar óbvio que não há cabimento em questionar a afirmação – Ninguém em seu juízo perfeito pode ser a favor da legalização da maconha.;
  • colocar-se como garantia de correção daquilo que afirma – Estou convencido que… ou Tenho certeza que…, por exemplo. É um jogo calculado: intimida contestações e, se elas vierem, tenderão a vir na forma de um ataque pessoal, facilmente contornável; e
  • tomar a parte pelo todo – elaborar construções frasais em que um comportamento isolado é generalizado, um traço específico vira comum. O candidato afirma um comportamento como sendo “do” brasileiro. Como não está definida a quantidade de brasileiros que sustenta tal opinião, a afirmação apela a generalizações por meio de essências (o brasileiro…).

Fugir da questão concreta

Discorrer sobre algo paralelo à questão central, sem parecer que mudou de assunto:

– O senhor é contra ou a favor da volta da CPMF?
– Veja bem… A captação de recursos para a saúde… blá-blá-blá… e fiz mais pela saúde do que meu oponente… blá-blá-blá… Não se trata de onerar a carga tributária… blá-blá-blá…

Atacar a pergunta

Trata-se de questionar a questão, ao invés de respondê-la. Por exemplo, quando o governo não tem como defender um ato governamental, reage a um pedido de CPI pela oposição, dizendo que se trata de manobra eleitoreira. Quando a oposição quer desviar a atenção sobre uma ação de governo… faz o mesmo(!).

Justificar um erro com outro

O orador justifica um erro pela tradição ou por um equívoco similar do rival cometido algum tempo antes. Para não levar a culpa por algo, argumenta-se que as coisas sempre foram feitas daquela maneira ou que o rival cometeu o mesmo deslize.

Insinuar questões complexas

Consiste em embutir uma afirmação prévia em uma pergunta ou em uma outra afirmação. Por exemplo:

  • A eleitoreira política social do governo gastou milhões do Tesouro – pressupõe que a política social do governo é eleitoreira;
  • É uma ilusão de qualquer governo pensar que o PMDB possa estar unido em seu apoio – enquanto se discute se os governos se iludem ou não com o PMDB, admite-se a tese de que o partido jamais está unido na adesão a um governo.

Abusar do “efeito dominó”

É concluir de uma proposição uma série de fatos ou consequências que podem ou não ocorrer. É um raciocínio levado indevidamente ao extremo, às últimas consequências. Por exemplo:

O álcool e uma dieta pobre também são grandes assassinos. Deve o governo regular o que vai à nossa mesa? A perseguição à indústria de fumo pode parecer justa, mas também pode ser o começo do fim da liberdade.

Conclusão

Sobrecarregado com alguns problemas pessoais, há muito tempo não publico nada. Mas gostei tanto dessa matéria que tive que arranjar um tempinho para escrever sobre ela antes das eleições.

Sei que ninguém vai virar um especialista em identificar armadilhas eleitorais apenas com esse artigo, mas ele traz algumas ferramentas para ajudar os eleitores a interpretar os discursos de pessoas praticam a retórica diariamente como forma de ganhar a vida…

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Afinal, o que é que nós entendemos? http://www.jlcarneiro.com/afinal-o-que-e-que-nos-entendemos/ http://www.jlcarneiro.com/afinal-o-que-e-que-nos-entendemos/#comments Fri, 14 Feb 2014 03:14:27 +0000 http://www.jlcarneiro.com/?p=1892 Hoje é sexta-feira, dia de relaxar um pouco e aprender! Já tinha ouvido essa música antes, mas não tinha parado para ver a mensagem contida na letra… Sou uma criança, não entendo nada Por Erasmo Carlos Antigamente quando eu me […]Continue lendo ]]>

Hoje é sexta-feira, dia de relaxar um pouco e aprender!

Já tinha ouvido essa música antes, mas não tinha parado para ver a mensagem contida na letra…

Sou uma criança, não entendo nada

Por Erasmo Carlos

Antigamente quando eu me excedia
Ou fazia alguma coisa errada
Naturalmente minha mãe dizia:
“Ele é uma criança, não entende nada”…

Por dentro eu ria
Satisfeito e mudo
Eu era um homem
E entendia tudo…

Hoje só com meus problemas
Rezo muito, mas eu não me iludo
Sempre me dizem quando fico sério:
“Ele é um homem e entende tudo”…

Por dentro com
A alma atarantada
Sou uma criança
Não entendo nada…

É curioso como, à medida que envelhecemos, descobrimos o quão pouco sabíamos antes, não é?

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