E agora: José

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Então, é Natal… Época em que a maioria da população mundial teoricamente comemora o nascimento de Jesus. Teoricamente porque muitos estão mais preocupados com os presentes que vão ganhar, comprar ou vender.

Nessa época, vemos inúmeras mensagens de boa vontade, na esperança de “espalhar o amor pelo mundo”. São filmes e músicas que se tornaram temas quase obrigatórios no fim do ano. Há, inclusive, discos dedicados exclusivamente ao tema natalino como Natal Todo Dia, do grupo Roupa Nova, e uma Edição Natalina de Amarantine, de Enya.

Como o Natal é a comemoração oficial do nascimento do Cristo, as mensagens são tradicionalmente sob essa perspectiva. Contudo, quero propor uma mensagem de Natal sob a perspectiva dos pais terrenos de Jesus, mais especificamente de José, o pai adotivo.

Muito se fala do sacrifício e abnegação de Maria, mas José, mesmo reverenciado pela Igreja, é pouco lembrado nas mensagens natalinas, talvez pela sua discreta participação nos Evangelhos, como cabe a um bom pai, segundo Artur da Távola.

Uma rara e bonita exceção é a música José, gravada em 1970 e primeiro sucesso solo de Rita Lee. A letra destaca as diferentes opções que ele deixou para traz para ficar com Maria e aceitar seu discreto, mas importante, papel. Independente do caráter religioso, considero isto um excelente exemplo de dedicação e amor.

José

Nara Leão e Georges Moustaki

Olhe o que foi meu bom José
Se apaixonar pela donzela
Dentre todas a mais bela
De toda sua Galiléia

Casar com Débora ou com Sara
Meu bom José, você podia
E nada disso acontecia,
Mas você foi amar Maria

Você podia simplesmente
Ser carpinteiro e trabalhar
Sem nunca ter que se exilar
E se esconder com Maria

Meu bom José você podia
Ter muitos filhos com Maria
E teu oficio ensinar
Como teu pai sempre fazia

Por que será meu bom José
Que esse teu pobre filho um dia
Andou com estranhas idéias
Que fizeram chorar Maria

Me lembro às vezes de você
Meu bom José, meu pobre amigo
Que dessa vida só queria
Ser feliz com sua Maria.

2 comentários sobre “E agora: José

  1. Caro amigo-irmão Zé Luís,

    Excelente post, um brinde e um presente a todos os que compartilham com você este espaço.

    Bela lembrança da música José, mas também tem aquela outra exatamente com o nome do título do post, E agora, José?, de um poema de Drummond que Paulo Diniz cantava, também muito bonita. Talvez porque você também seja pai adotivo, assim como de certa forma eu sou, colocou tanta sentimento neste post.

    Neste Natal eu radicalizei um pouco e postei duas charges daquele site que você me recomentou, o Um Sábado Qualquer, acreditando que ficaria bom para o “espírito” do ZÉducando.

    Forte abraço para você, beijos para Carla e as meninas!

    • Obrigado, Zé Rosa! Realmente, há dias em que estamos mais suscetíveis aos sentimentos…

      Com relação ao título do post, eu pretendi parafrasear o título desse “poema musical”, saindo do questionamento e indo para a apresentação do valoroso homem José, mais tarde canonizado, mas tantas vezes esquecido.

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