Dia dos professores 2010

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E eis mais um dia dos professores. Mais uma vez, encontro dificuldade em encontrar algo que enalteça a função do mestre na sociedade moderna.

Portanto, ao invés de mensagens para o dia dos professores, tentarei atender à determinação acima, em duas etapas…

Primeiro, um excelente texto para reflexão, a fim de enaltecer a função do mestre:

Quem nasceu primeiro?

por Gilberto Teixeira* (Ser Professor Universitário)

No dicionário, o aluno vem antes do professor. Na vida, em geral, vemos frequentemente o professor ter mais importância do que o aluno.

Alguns educadores se queixam de que atualmente só se fala dos direitos das crianças e adolescentes, esquecendo-se os direitos dos professores. Outros lembram que os alunos também têm deveres, e que os direitos dos professores são como os de qualquer outra categoria profissional que deseja e merece ser valorizada, e portanto devem ser reivindicados junto à Justiça do Trabalho, e não nos “confrontos” em sala de aula.

Pensando um pouco mais filosoficamente, professor e aluno são dois lados da mesma moeda — o conhecimento.

Devemos primeiro buscar entender o que é “aluno” e o que é “professor”. Se partimos da premissa de que para ensinar alguma coisa, antes é preciso aprender, então o aluno está no início de tudo. Nascemos alunos, crescemos alunos, morremos alunos. Para os que crêem, Adão foi o primeiro aluno, Eva a segunda, e a serpente a primeira professora (será que vem daí a tradição de se dar maçãs aos mestres?!?).

Não podemos nos limitar a cosmogonias teológicas, se queremos expandir os significados da pergunta. Justamente por não ter “gabarito” é que é bom respondê-la de vários ângulos. Vejam só: descontando-se a teologia, a dedução natural nos leva, inescapavelmente, ao aluno como início de tudo. Mas o pensamento circular oriental nos ensina que todo início é também fim, e que todo aprendizado é também ensinamento. Se o “aluno-essencial” aprende, alguém ou alguma coisa o ensina. Considerando que a Vida pode ser personificada, com o nome que for (Natureza, Existência, Experiência, Interação com o Meio), esta sim, é a primeira Mestra de todos nós. A Vida nasceu primeiro, portanto o Professor nasceu primeiro. Mas se esta abstração não for aceita, e considerarmos que “só valem”, como alunos e professores, os seres humanos, então somos mesmo alunos. E professores. Se a Vida nos ensina tudo, e quem vivemos somos nós, então somos nós nossos próprios professores.

É nascer e aprender consigo mesmo: nossos instrumentos de aprendizado estão a postos – visão, tato, paladar, audição, olfato, de cara temos uma série de disciplinas para o curso intensivo que é viver. Mesmo sem saber, o primeiro Aluno carrega consigo o primeiro Professor.

Sempre em busca

Eternamente seremos aprendizes, independentemente das titulações adquiridas. Ser professor, ser aluno, é uma atitude de vida. Se o professor mantiver ao longo da vida essa chama acesa do saber na sua alma, não para se vangloriar dos seus feitos, mas para compartilhar, para interagir com o mundo, sendo aquele que duvida, que aceita o erro, a dúvida, e busca sempre, ele será eternamente aluno e não alguém que se fossilizou, nas suas “certezas”. A curiosidade do aluno é o lugar do germinar do conhecimento. O professor alimenta o seu eterno aluno interior, quando é capaz de valorizar esse saber que brota no caos da ignorância de todos nós, por admitir que na sua alma coexistem o saber e a dúvida. O professor está sempre em busca.

Há quem pense que existe uma relação de total dependência entre as duas partes: professor sem aluno não é professor; aluno sem professor não é aluno.

Pode-se também argumentar que “ser aluno” é um estado permanente, que independe da presença do “professor”. E “ser professor” é um estado nobre dos que dividem seus achados, dispensando a contínua reinvenção da roda.

Sejamos, portanto, alunos e professores. E mais importante que tudo é nunca esquecermos que por mais títulos e mais experiencia e conhecimentos que tenhamos ninguém tem o direito de se julgar “dono de um conhecimento”. A mais importante postura de qualquer professor é a humildade.

* Gilberto Teixeira é Professor Doutor da FEA/USP.

Na minha opinião, esse excelente texto poderia ser resumido assim:

Professor e aluno são dois lados da mesma moeda — o conhecimento: professor sem aluno não é professor; aluno sem professor não é aluno.

“Ser professor” é um estado nobre dos que dividem seus achados, dispensando a contínua reinvenção da roda. Mas, o mais importante é nunca esquecermos que por mais títulos e mais experiencia e conhecimentos que tenhamos ninguém tem o direito de se julgar “dono de um conhecimento”.

A mais importante postura de qualquer professor é a humildade.

Agora, para relaxar, algumas charges de Randy Glasbergen sobre a educação na sociedade moderna:

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