De onde vêm as boas ideias?

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Imagine a seguinte situação:

Você está voltando para casa depois de um dia cansativo no trabalho.

Você passou o dia tão concentrado tentando resolver um problema do serviço, que só notou como era tarde quando seu chefe veio se despedir. Depois de deixar o problema para o dia seguinte, você só quer comer alguma coisa, tomar um bom banho e tentar descansar.

Você caminha distraído cantarolando uma música, sem prestar muita atenção na letra, quando ao dobrar a esquina, surge uma ideia em sua cabeça. Você dá um leve tapa na testa, sorri e murmura:

– Como não pensei nisso antes?

Satisfeito, você volta a caminhar, sabendo que agora sua noite será bem mais gratificante…

Quem nunca passou por uma situação parecida? Muitas vezes, depois de alguma questão ter ocupado nossa mente por um bom tempo, surge uma ideia brilhante, aparentemente “do nada”.

De onde vêm essas ideias? O que podemos fazer para torná-las mais frequentes?

aspindle_boas_ideias.pngTodos nós já ouvimos falar que o subconsciente é muito poderoso, talvez mais do que o próprio consciente. Não tenho certeza se isso é verdade, mas é verdade que nossos valores, nossos costumes e mesmo o nosso senso de humor são decorrentes das experiências que tivemos em nossas vidas, quer nos lembremos delas, ou não.

Segundo estudiosos da criatividade e da inovação (e grandes inovadores como Steve Jobs), nossas ideias têm origem parecida: elas são o resultado de associações entre os diversos conteúdos (memórias, sensações, frustrações, imagens, sons ou mesmo outras ideias) armazenados no nosso cérebro (clique na figura ao lado para ver um diagrama simplificado desse processo).

Um desses especialistas é o escritor norte-americano Steven Johnson, autor de alguns sucessos de vendas e palestrante em mais de uma edição do TED. Um de seus livros (De Onde Vêm as Boas Ideias) trata justamente da origem das ideias e há o vídeo a seguir (curto, mas muito interessante) foi feito para promovê-lo:

Link para o vídeo

Pelo que vi, as ideias do autor seriam um caso especial da Lei de Lavoisier:

Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.
(Antoine Lavoisier) 

Outros dois pontos que achei interessantes no vídeo foram a confirmação de que estamos ficando mais distraídos e a conclusão que qualquer conteúdo, mesmo um de baixa qualidade (como parte do que vemos hoje na televisão e na internet), pode contribuir para a geração de ideias.

Nesse ponto, faço uma ressalva: apesar de concordar que conteúdos de baixa qualidade podem ser úteis na gênese de ideias, para aumentar a probabilidade de uma boa ideia, penso ser necessária uma certa quantidade de conteúdos de boa qualidade. Afinal, é possível transformar limões em limonada, mas não se todos os limões estiverem estragados, certo?

Para terminar, veja a palestra de Johnson no TEDGlobal 2010:


Link para o vídeo

Alguns trechos que achei interessantes nessa palestra:

  1. o cérebro precisa estar em boas condições físicas e de atenção (1m30s);
  2. um caso prático da gênese de ideias, mais especificamente dos limões e da limonada (4m43s);
  3. precisamos estimular a associação de ideias, com o mesmo empenho que as protegemos (11m38s);
  4. outro caso prático da gênese de ideias (12m27s); e
  5. o acaso favorece as mentes conectadas (17m30s).

Segundo o autor, são necessárias algumas condições básicas para gerar boas ideias. Nós podemos providenciar algumas dessas condições (como estimular a associação de ideias, por exemplo) e não precisamos nos esforçar em procurar conteúdos de baixa qualidade (somos expostos a eles diariamente) mas, para tornar mais frequente a geração de ideias brilhantes (como ocorreu na situação descrita no começo do texto), você precisa se perguntar:

– Eu estou providenciando minha dose diária de conteúdos de boa qualidade?

4 comentários sobre “De onde vêm as boas ideias?

  1. Excelente post. Eu já havia visto este primeiro vídeo do Steven Johnson. Achava até que havia colocado no ZEducando, mas fui pesquisar e não achei…
    Acho difícil conteúdos fluidos e de má qualidade serem capaz de gerar algo de bom e criativo, pode ser até criativo, mas bom(?) tenho minhas dúvidas.
    abs,

    • Obrigado, Zé!

      É difícil de aceitar que conteúdos de má qualidade são importantes, mas é mais ou menos como na teoria da evolução: o que hoje parece ruim pode ser a semente de um diferencial positivo no futuro.

      Sugiro que assista à palestra dele no TED (o segundo vídeo), creio que você vai gostar, principalmente do trecho sobre estimular o compartilhamento de ideias (a partir dos 11m38s).

      Aliás, será que o Ctrl+C e Ctrl+V (copiar e colar) tão comum hoje em dia é uma espécie de corruptela da Lei de Lavoisier?

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