Crises, lenços e slogans

Nas crises, há aqueles que choram e aqueles que vendem lenços.
(Adágio popular)

Essa semana vi alguns cartazes da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap) sugerindo que os empresários aproveitem a oportunidade para investir em publicidade. Veja uma das peças:

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As primeiras beneficiadas por essa campanha são as próprias agências de publicidade: como aparentemente os clientes delas diminuíram os investimentos, elas literalmente seguem seu próprio conselho e anunciam para atraí-los novamente. Uma prova que em casa de ferreiro, o espeto nem sempre é de pau…

Que fique claro que isso não quer dizer que propagandas medíocres, como as que literalmente gritam sem juros, só esta semana e coisas do gênero, surtirão o efeito desejado.

Um estilo antigo que faz falta hoje, por exemplo, é o “anúncio honesto”. Não digo que a publicidade seja desonesta por natureza mas, à primeira vista, parece absurdo tentar vender um produto (ou serviço) destacando justamente seus pontos fracos. Contudo, essa técnica é usada há muito tempo e funciona muito bem! Trago dois casos clássicos da década de 1960: a campanha do VW Beetle (o nosso Fusca) nos EUA e a AVIS (locadora de veículos).

Volkswagen – É feio mas é bom!

O Fusca fugia completamente do padrão de carros comprados pelos americanos. Na verdade, eles o consideravam pequeno, barato (desde quando isso é ruim?) e feio. Então, o que a Volkswagen fez (além da suposta influência em filmes e desenhos animados)? Aceitou a carapuça e fez uma série de propagandas bem-humoradas que começavam com um dos defeitos do carrinho e terminavam destacando suas virtudes. Você pode encontrar vários exemplos se pesquisar por “classic VW Beetle ads“, mas os dois exemplos a seguir são emblemáticos:

vw_ad_wilt_chamberlain.jpg

Avis – Nós nos esforçamos mais!

Em muitas culturas, e especialmente na cultura norte-americana, a segunda colocação é considerada desonrosa:

O segundo colocado é apenas o primeiro dos perdedores.
(Dale Earnhardt – Corredor de NASCAR)

No início dos anos 1960, a Avis era a segunda colocada no mercado de locação de automóveis, amargava prejuízos há mais de uma década e lutava para conquistar terreno das garras da líder da época (a Hertz). Ao invés do comportamento tradicional de ocultar sua segunda posição, a Avis escolheu alardear isso como um motivo para se empenhar mais e ter mais qualidade:

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A participação da Avis no mercado cresceu em pouco tempo. Mas o sucesso foi tão grande que o slogan da empresa é o mesmo até hoje. Poucas campanhas podem se orgulhar de serem usadas há mais de 50 anos!

Situações extremas pedem medidas extremas, não concorda?

Um comentário sobre “Crises, lenços e slogans

  1. Muito bom o post em época de crise. Me lembrava a do fusca, e de fato até hoje ele é bom, tanto que tentaram “reinventá-lo” sem sucesso. Abs.

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