student_at_computer.gifÉ comum a impressão que computadores ajudam muito o aprendizado.

Aliás, essa é uma das razões para iniciativas como a One Laptop per Child (OLPC) e o Projeto Um Computador por Aluno (UCA), do Governo Federal. Entretanto, um artigo de pesquisadores da Unicamp, publicado na revista Educação & Sociedade nº 101, vai na contramão, levantando questões importantes.

O Mapa da Exclusão Digital, desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), constata que alunos com computadores em casa exibem um desempenho melhor em matemática. Porém, os pesquisadores da Unicamp questionaram se os melhores resultados obtidos por esses alunos eram em virtude de uso do computador ou de seu nível socioeconômico…

Afinal, alunos com maior poder aquisitivo têm mais acesso a computadores, mas também têm mais acesso a livros e outras ferramentas pedagógicas. Nas palavras dos pesquisadores será que o nível socioeconômico da família do aluno não tem um efeito maior sobre o seu desempenho do que ser proprietário de um computador?

Os resultados da pesquisa contradizem o trabalho da FGV e a impressão da maioria das pessoas:

Uma análise dos resultados da pesquisa demonstra que, independente da classe social, onde existem diferenças significativas, usar o computador raramente é, em quase todos os casos, associado a melhores resultados de não usar. [...]

O uso do computador (seja na escola, em casa, no trabalho ou em outro local) não é associado a uma melhoria uniforme do desempenho do aluno no sistema escolar. Pelo contrário, aqueles que sempre usam o computador têm pior desempenho que outros usuários da mesma classe social. Para os mais pobres, o resultado é mais nítido ainda.

Concordo que o computador é uma ótima ferramenta de ensino e pode ajudar muito o aprendizado, quando bem manuseado. Ao invés de usar o computador como ferramenta para facilitar o aprendizado ou o acesso a uma maior bibliografia, o que tenho mais visto (e combatido) é o uso do computador como ferramenta para “copiar e colar”. E muitas pessoas consideram esse comportamento “normal”. :roll:

Essa diferença de conceitos pode gerar discussões interessantes. Alguns comentários tímidos começaram a aparecer no artigo do IDGNow! e gostei das reflexões de Jaime Balbino no Mobilidade em Educação sobre o assunto. Já no BR-Linux.org, a discussão está mais animada, com direito até a uma charge sobre o assunto (à direita). :mrgreen:

Espero que essa pesquisa ajude a esclarecer, ao governo e às pessoas em geral, que iniciativas como o Projeto UCA são necessárias mas não são uma solução completa. Independente dos computadores, ou até antes deles, infraestrutura, estímulo à leitura e professores mais preparados e valorizados são um investimento em educação com melhor taxa de retorno a longo prazo.

E você, o que acha? :wink:

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