Comentário sobre a matéria da Veja

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Estava dando uma lida no br-linux.org e encontrei um comentário que me agradou muito.

O autor (leonardo_lopes) destrinchou a reportagem, analisando falha por falha:

Não estou aqui para fazer a defesa do governo e sua política de software livre, ao qual tenho minhas críticas, mas vou aqui apenas me reter a fazer críticas a reportagem da Veja, que contém diversas falhas.

“A oposição aos programas comerciais – leia-se aí a Microsoft, fabricante do sistema operacional Windows e a maior empresa mundial de software – é uma bandeira do PT.”
Reducionismos são sempre bons para quem quer distorcer os fatos. A defesa do software livre não se resume a ser contra a Microsoft, muito pelo contrário, está relacionado ao que vai ser usado e não ao que não vai.

“O software livre é um programa ou sistema operacional que pode ser modificado por qualquer um e, em princípio, pode ser obtido gratuitamente na internet. Em teoria, é uma boa idéia usar e não pagar. Na prática, talvez seja um problemão, sobretudo se o uso se transformar em obrigação.”
Mais uma vez a Veja trabalha com a campanha do reducionismo, eles citam a liberdade de modificar, mas simplesmente a ignoram e levam em consideração apenas o preço para fazer seu discurso sobre o Software Livre.

“‘Ao optar por um programa, é preciso pesar cuidadosamente os prós e os contras’, diz Fernando Parra, presidente da DTS, empresa de São Paulo que desenvolve softwares e presta serviços de tecnologia. ‘Não se podem tomar, com base em motivos ideológicos, decisões que deveriam ser técnicas.'”
Software Livre não se resume a uma decisão ideológica, mas uma decisão também técnica. A liberdade de modificar, por exemplo, é uma questão técnica muito forte, mas que é vista apenas pelo lado ideológico para aqueles que defendem o software não-livre.

“A migração para o software livre custou caro para os cofres públicos. O governo federal precisou contratar 2.000 técnicos em informática. Só os salários e os encargos trabalhistas desses programadores ultrapassam 56 milhões de reais por ano…”
Tem que se buscar qual o motivo real da contratação desse pessoal, ninguém contrata 2000 técnicos para fazer uma migração pura e simplesmente.

“Nem sempre o software livre é pior que o comercial, mas sua adoção pelo governo brasileiro revelou-se ineficiente.”
Eles já fazem a pessoa que não conhece software livre pensar que a maior parte dos softwares livres são ruims.

“Foram feitas versões em código aberto do
programa de imposto de renda on-line e do portal de compras públicas ComprasNet.”

Jamais existiu qualquer versão de código livre dos programas de imposto de renda, quanto ao ComprasNet, desconheço os fatos, apenas verifiquei que ele faz uso de ASP em suas páginas…

A reportagem segue com fatos relativos a realização de licitação on-line, quanto a isso é uma questão que em nada está relacionada ao software livre, já que a estrutura pra realização de tais licitações existe, apenas não é usada.

A reportagem é concluida com um quadro completamente falso onde coloca que somente se paga por licença nos software proprietários e que a manutenção do mesmo é gratúita, e o oposto ocorre no Software Livre. Todos sabemos que as coisas não são bem assim, infelizmente todos sabemos que a Veja tem seu posicionamento contrário ao software livre única e exclusivamente pelo fato de ele ter sido adotado pelo PT, e vamos ter que conviver com isso enquanto o esse governo estiver aí.

Detalhe: esse é o primeiro artigo em que uso trackback

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