Atualmente temos memória ou vaga lembrança?

voyager_disc.jpg

Além do artigo de Marquezi, a revista Info de maio traz outra matéria interessante sobre segurança.

A segurança da informação busca garantir a confidencialidade, integridade e disponibilidade da informação. A maioria dos trabalhos na área enfoca os dois primeiros princípios e, aqueles que enfocam o terceiro, normalmente o fazem no curto prazo, recomendando o uso de cópias de segurança, ensinando como recuperar arquivos danificados ou como armazená-los “na nuvem” para uso móvel.

Tradução de uma matéria publicada na New Scientist Magazine, a reportagem propõe uma reflexão sobre a pouca confiabilidade dos atuais meios de armazenamento de dados em comparação com os antigos.

Atualmente, a maioria de nossos dados é armazenada digitalmente mas, apesar de sua grande capacidade, velocidade e praticidade, essas mídias não são confiáveis para armazenamento por longos períodos. É preocupante: enquanto o livro impresso mais antigo do mundo tem quase 1.200 anos, a mídia atual mais resistente, um CD-R, coberto com uma camada de ftalocianina que lhe confere uma cor dourada, tem longevidade estimada de “meros” cem anos. Pouco? Os pendrives, tão comuns e práticos, devem durar apenas cerca de dez anos!

jingangjing.jpgDa perspectiva individual, o problema não é tão grande: em dez anos, uma pessoa mudará de pendrive várias vezes, motivada pelos avanços tecnológicos. Mas do ponto de vista coletivo, é grave. Informações importantes podem se perder por um imprevisto ou por uma mera distração. E isso já aconteceu: recentemente os EUA descobriram que não “lembravam” mais como produzir um ingrediente secreto de algumas ogivas nucleares. Como não haviam mantido registros adequados e os técnicos haviam se aposentado, precisaram investir 69 milhões de dólares para “relembrar” como produzir o tal ingrediente.

Além de garantir a existência e integridade dos dados, é necessário garantir que estejam num formato compatível: a Nasa também enfrentou dificuldades para trabalhar com dos dados das sondas Lunar Orbiter. As antigas fitas magnéticas foram muito bem armazenadas e estavam em perfeito estado. Contudo, não dispunham de unidades leitoras compatíveis. Precisaram recuperar algumas unidades antigas, guardadas, por acaso, por um ex-funcionário da agência. Depois de um enorme esforço (uma das unidades tinha até virado moradia de um lagarto), usando inclusive os serviços de um engenheiro aposentado, ainda penaram por três meses até encontrar um documento que descrevesse as equações de demodulação, necessárias para converter os dados para um formato útil.

Para piorar, é possível que a dedicação dos futuros arqueólogos seja em vão: uma considerável parcela do que armazenamos hoje é inútil ou, pelo menos dispensável. Quais as chances de, depois do esforço para conseguir ler os dados, descobrirem que não passavam de páginas do orkut, fotos pornográficas, gravações de funk ou mesmo de um episódio do Big Brother Brasil?

Pode piorar? Depende. No caso do BBB, dependendo da qualidade da gravação e do conhecimento deles de nossas línguas e costumes, ainda existe o risco de os arqueólogos do futuro pensarem que aquela filmagem reproduz o dia a dia de nossa sociedade…
nepomuceno_mafiadourada.gif

Um comentário sobre “Atualmente temos memória ou vaga lembrança?

  1. Caro amigo,

    Excelente post, como sempre. Gostei muito da tirinha e da conclusão final sobre os BBBs da vida. No artigo da INFOEXAME se menciona o ABBA. No fim dos tempos restará apenas aquilo que é reproduzido em massa.

    ab.

Deixe um comentário: