Aprendendo com coelhos, raposas e lobos

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Dizem que os bons professores ensinam o tempo todo. Para eles, qualquer coisa é motivo para mais uma lição.

Estive conversando com um amigo sobre meu futuro acadêmico e ele aproveitou para me contar uma fábula que ensina uma coisinha ou outra sobre a vida acadêmica. Pesquisei mas não consegui encontrar a origem e autoria desse texto, que possui várias versões na internet.

Sendo assim, combinei um punhado delas (algumas em português, outras em inglês) no texto a seguir:

A tese do coelho

Autor desconhecido

Em um dia lindo e ensolarado, um coelho saiu de sua toca com seu notebook e pôs-se a trabalhar, muito concentrado. Pouco depois, passou por ali uma raposa e viu aquele suculento coelhinho tão distraído, que chegou a salivar. No entanto, ficou intrigada com a atividade do coelho e aproximou-se, curiosa:

– Coelhinho, o que você está fazendo aí, tão concentrado?
– Estou redigindo a minha tese de doutorado – disse o coelho, sem tirar os olhos do trabalho.
– Hummmm… E qual é o tema da sua tese?
– Ah, é uma teoria provando que os coelhos são os verdadeiros predadores naturais de vários animais carnívoros, inclusive das raposas.

A raposa ficou indignada:

– Ora, isso é ridículo! Nós é que somos os predadores dos coelhos!
– Absolutamente! Venha comigo à minha toca que eu mostro a minha prova experimental.

O coelho e a raposa entraram na toca. Quase imediatamente, ouviram-se ruídos abafados, alguns poucos grunhidos e depois, silêncio. Em seguida, o coelho voltou, sozinho, e retomou os trabalhos de sua tese, como se nada tivesse acontecido.

* * *

Alguns dias depois, o coelho estava novamente trabalhando ao ar livre quando passou um lobo. Ao ver um apetitoso coelhinho tão distraído, agradeceu mentalmente à cadeia alimentar pelo jantar garantido. Antes de atacar, no entanto, o lobo também achou curioso um coelho trabalhando com tanta concentração e resolveu saber do que se tratava:

– Olá, jovem coelhinho! O que o faz trabalhar tão arduamente?
– Minha tese de doutorado, seu lobo. É uma teoria que venho desenvolvendo há algum tempo e que prova que nós, coelhos, somos os grandes predadores naturais de vários animais carnívoros, inclusive dos lobos.

O lobo não se conteve com a petulância do coelho:

– Ah, ah, ah, ah! Coelhinho, apetitoso coelhinho! Isto é um despropósito. Nós, os lobos, é que somos os genuínos predadores naturais dos coelhos. Aliás, vamos deixar de conversa que estou com fome…
– Desculpe-me, mas se você quiser eu posso apresentar a minha prova experimental. Você gostaria de acompanhar-me à minha toca?

O lobo não consegue acreditar na sua boa sorte. Ambos desapareceram toca adentro. Em segundos, ouviram-se uivos desesperados, ruídos de mastigação e… silêncio. Mais uma vez, o coelho retornou sozinho, impassível, dedicando-se à redação da sua tese, como se nada tivesse acontecido.

* * *

Algum tempo depois, o coelho comemorava a conclusão de sua tese com uma saborosa cenoura quando um outro coelho, amigo seu, o cumprimentou:

– Olá! Quais são as novidades? Você parece muito feliz!
– Sim, eu acabei de terminar minha tese. – gabou-se o coelho.
– Parabéns! Qual é o título?
– A Superioridade dos Coelhos sobre as Raposas e os Lobos.
– Tem certeza? Que título estranho! – comentou o amigo.
– Tenho, sim! Venha e veja por você mesmo.

Assim, entraram juntos na toca do coelho. À medida que entravam, o amigo reconhecia a costumeira morada de um estudante de pós-graduação ao término de uma tese: livros por todos os lados, o notebook com o polêmico trabalho em um canto, algumas garrafas térmicas sujas de café…

De repente, quando seus olhos se acostumaram com a penumbra, espantou-se ao vislumbrar no fundo da toca, uma enorme pilha de ossos de raposa tendo, ao lado dela, uma outra pilha, ainda maior, de ossos de lobo. E, dormindo satisfeito entre as duas pilhas, um grande e bem alimentado leão.

Moral da história:

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  • não importa o título da sua tese;
  • não importa quão absurdo é o tema do seu trabalho;
  • não importa se você não tem o mínimo fundamento científico;
  • não importa se os seus dados não comprovam sua teoria;
  • não importa nem mesmo se suas ideias vão contra o mais óbvio dos conceitos lógicos;
  • o que importa é quem é o seu orientador!

Curioso! Parece que basta trocar algumas palavras, como “tese” por “ideia” e “orientador” por “chefe”, e as lições dessa parábola servem direitinho para a vida profissional…

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