Acho que, agora, eu entendo a Veja

como_ler_vejaEstive pesquisando por outro assunto (ERP e CRM) e, sem querer, esbarrei em mais um material interessante sobre a revista Veja.

Já deve ter ficado claro que tenho uma relação conturbada com essa revista. Enquanto elogio algumas matérias, critico outras com veemência. Por exemplo:

Não creio que o problema seja a revista em si. Sempre parti do princípio que a responsabilidade do uso dado a uma informação é do leitor. Ele deve ter o senso crítico.

A Veja não é perfeita, mas tampouco é totalmente inútil como dizem. Conheço muita gente que elogia a revista. Consideram-na uma referência. A partir de agora, posso até criticar algumas matérias, mas vou fazê-lo mais à vontade e vou compreender o porquê de terem sido publicadas.

O professor Nilton Hernandes concluiu seu mestrado pela USP com uma dissertação sobre a revista Veja. Nela, ele analisa alguns textos da revista sobre emprego, observando como a redação da revista busca transformar interpretações em “fatos”.

Numa entrevista ao Observatório da Imprensa, ele falou sobre o trabalho. Achei a resposta à segunda pergunta muito interessante (grifos meus):

Sala de Imprensa: As revistas hoje trabalham assumidamente com a relação informação/interpretação. Como é essa relação na VEJA?

Nilton Hernandes: A questão da divisão informação/interpretação faz parte das teorias de comunicação e a semiótica não acredita nisso. O que existe é uma dada realidade e as pessoas vão apreender esse real com base numa visão de mundo. A revista tem uma ideologia e vai construir o real em função dessa ideologia, e não o contrário. A VEJA não trabalha nem com a idéia de imparcialidade nem com a idéia de interpretação, a VEJA é uma revista que se assume como opinativa, ela se assume como a revista que dá a verdade última sobre tudo. Ela assume isso, não sou eu que estou falando. Há textos do Civita, dono da revista, onde ele fala isso claramente. A VEJA se assume dentro da imprensa nacional como a revista que dá a última opinião, depois que todas as outras mídias noticiaram. Ela transforma um problema em uma solução. O problema é ela ser a última mídia a noticiar, portanto ela sempre dá notícia velha. Então ela transforma isso em algo em favor dela. Ela diz assim: ‘agora eu vou julgar tudo o que as mídias mais rápidas já deram e vou determinar o que é verdade e o que é mentira’. Ela é o enunciador que sabe tudo.

É típico da VEJA falar assim: ‘nós ouvimos o maior especialista mundial sobre esse assunto e ele disse isso, mas ele está errado’. O que a VEJA fala é que ela sabe mais do que a pessoa que sabe mais. Isso está nos textos.

Ela age como um padre, que não admite discutir se Deus existe ou não existe, ele parte do princípio de que isso é um fato. Da mesma maneira a VEJA tem os seus fatos, que são verdades indiscutíveis, não interessa para a VEJA por exemplo ouvir o outro lado. Isso a VEJA jamais utiliza, e se ela utiliza é uma linha e para desqualificar o discurso. A VEJA trabalha dentro dessa visão do padre e fala que chegou à verdade. Não admite discussão. Não se discute o que é verdade a partir do momento que ela foi colocada como algo indiscutível.

Há outras respostas interessantes, como quanto à relação da Veja com os EUA, mas acho que essa resume bem a “linha editorial” da revista.

Ela não é má. Apenas foi “desenhada” assim…

Um comentário sobre “Acho que, agora, eu entendo a Veja

  1. […] malfadada revista, VEJA? NÃO VEJA ESTA ‘VEJA’ ! OU VEJA ?, posto aqui esta capa feita pelo José Luis e me enviada agora por email […]

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