A origem do símbolo @

interface_message_processor.jpg

Acho muito legal quando descubro coisas interessantes por acaso. E acho melhor ainda, quando descubro essas coisas num lugar que não tem nada a ver com o assunto.

Há alguns dias, estava navegando num fórum sobre Ultraman e encontrei um texto interessante falando sobre a origem do símbolo @ (arroba). Aquele, que fica no meio do endereço de e-mail…

Achei curioso mas, como não sabia se era verdade, fui pesquisar…

Encontrei um texto tão parecido, que tem que ser a fonte da informação. Como é de uma fonte confiável (Coluna do Piropo, dividido em Arrobas: a origem e Um Dia, na Catalunha…), lá vai:

[…]

O que é uma arroba? Bem, arroba é uma unidade de peso cujo emprego se originou na Espanha e que, em virtude disso, é usada principalmente nos países de língua espanhola e portuguesa. Há exceções, porém: na vizinha França usa-se a “arobase” (ou “arobace”) e na Índia usou-se uma arroba de 28 arratéis (provavelmente por influência de Portugal, embora nas terras lusitanas a arroba valha 32 arratéis). Uma arroba corresponde à quarta parte de um quintal. Como um quintal tem cem libras espanholas ou 128 arratéis, uma arroba vale 25 libras ou 32 arratéis. A conversão de arroba para quilograma varia de região para região: na Espanha uma arroba vale 11,5 kg, na França 12,78 kg, em Portugal e no Brasil 14,79 kg (geralmente arredondados para 15 kg). Seu nome deriva do fato dela valer a quarta parte de um quintal, pois nos idiomas semitas como o árabe e o hebreu, a raiz “arb” significa “quatro” (em árabe, “quatro” é “arroub”). E ela foi criada na época em que a influência da cultura árabe na Península Ibérica era expressiva.

E quanto ao símbolo “@”, que nome recebe nos diversos países?

Bem, em muitos deles o símbolo ganhou o nome a partir de sua forma – sinal seguro que não teve origem em nenhum deles (faz sentido: o modo mais natural de batizar um símbolo desconhecido é se referir a seu formato, como o nome popular “tralha” usado para o símbolo “#” cujo nome culto é “cerquilha”). Por isso em italiano “@” tem o nome de “chiocciola” (derivado do latim “coclea”) que significa “caracol”. E em alguns países assumiu nome de partes de animais com que se parece: rabo de macaco em holandês (“apestaart”) e alemão (“Klammeraffe”) ou tromba (de elefante) em sueco (“snabel”). Já em outros locais toma o nome de um doce ou confeito de formato circular ou espiralado, como uma rosca ou pão doce: na República Tcheca (“zavinac”), em Israel (“shtrudel”), na França (“rouleau”, além de “arobase”, mas este último derivado de arroba), na Áustria (“strudel”), na Suécia (“kanelbulle”, denominação alternativa a “snabel”) e, em diversos países da Europa, “pretzel”. Mas derivar o nome a partir da forma denota apenas a ignorância da verdadeira origem do símbolo. Um fato significativo, porém, é que na maioria desses países seu nome “oficial” é “em comercial” (da mesma forma que o do símbolo “&” é “e comercial”), denotando o mesmo sentido do “at” em inglês.

Mas de onde vem este “at”?

A razão remonta à idade média. Uma época em que os livros eram escritos à mão pelos copistas. Que, com o intuito de simplificar o trabalho, adotavam símbolos para reduzir o numero de letras a serem copiadas. Por exemplo: sempre que havia um “m” depois de um “a” ou de um “o”, substituíam-no por um sinal sinuoso acima da letra, mais fácil e mais rápido de ser escrito – o que deu origem ao til. Também para simplificar, quando tinham que copiar a conjunção “et” e a preposição “ad”, ambas latinas e que significavam, respectivamente, “e” e “em”, entrelaçavam as duas letras que as formavam. Assim, “et” virou “&” e “ad” virou “@”. Esta foi a gênese do “@”.

[…]

O assunto morreria aí e os símbolos teriam desaparecido com o advento da imprensa, que prescindia destas simplificações úteis apenas para os amanuenses, não fosse por um detalhe: depois da Renascença, na Europa, ambos passaram a ser usados nos livros contábeis. Particularmente o “@”, empregado como ligação entre o número de unidades (no princípio, seja lá de que grandeza) e o preço unitário. Uma entrada como: “5 @ 2 L” indicava “cinco (coisas, seja lá o que fossem) a duas libras cada”. Esta prática tornou-se comum na Inglaterra onde, durante o século XIX, havia textos sugerindo este emprego do símbolo. Que já era conhecido por “at”, a tradução para o inglês de “em”, o uso mais comum da preposição latina “ad” (que significa ainda “para”, “a”, “na direção de” e “até). Mais tarde o uso se propagou das ciências contábeis para a área tecnológica e, nos EUA, o símbolo “@”, sempre significando “at”, é comum em contextos como “density @ 15ºC”.

Estas informações podem ser conseguidas em fontes diversas, portanto tudo indica que são dignas de crédito. Já o que vocês vão ler adiante é fruto exclusivo da consulta a um artigo do Prof. Sales i Porta (sales@lsi.upc.es), mestre de lógica e inteligência artificial na Facultat d’Informàtica UPC, da Catalunha, Espanha (o texto completo, em catalão, está em <www.internauta.net/faqs/msg09710.html>). Talvez seja mera especulação. Mas faz sentido. E na falta de explicação melhor, fiquei com ela e a divido com vocês.

Diz mestre Sales i Porta que o uso de “@” para representar arroba nasceu na Espanha oitocentista, fruto de uma interpretação errônea das relações de mercadorias descarregadas nos portos da Catalunha, onde a indústria nascente obrigava a copiar os costumes comerciais e os manuais de contabilidade ingleses. Por isso o uso do símbolo “@” no contexto citado acima era comum. Segundo ele, em relações de mercadorias onde constava uma entrada como “50 @ 10 duros” (“duro” é uma moeda), o número 50 podia quantificar qualquer coisa, desde sacos de batata até fardos de algodão. Mas o que aparecia depois do “@” era claramente o preço unitário. Nesse contexto, era natural que o símbolo “@” passasse a ser interpretado como unidade de peso. E que unidade? Ora, arroba, que era a unidade usual da época. Portanto a entrada era interpretada como “50 arrobas ao custo de 10 duros cada”. Diz ele: “Tenham em conta que os carregamentos comerciais desembarcados nos portos eram, freqüentemente, fardos geralmente de uma arroba cada. A escolha, e a confusão, parecia óbvia” (talvez haja alguma imprecisão na citação, já que traduzir Catalão não é exatamente a tarefa que desempenho com maior proficiência – embora o faça com denodo e empenho; para ser franco, confesso que nem ao menos sabia que era capaz de fazê-lo até tentar).

Segundo mestre Sales i Porta, foi assim que o símbolo “@” passou a ser usado para representar a arroba. E, acrescenta ele, já poderia ter caído no esquecimento não fora por sua inclusão no teclado das máquinas de escrever (que surgiram nos EUA justamente no terço final do século XIX) representando o “em comercial”, sentido com o qual era correntemente usado nas operações contábeis. Daí a figurar nos teclados dos computadores, que incorporaram os símbolos da mecanografia, foi um pulo.

Chega então o tempo da Arpanet. Mr. Ray Tomlinson acaba de desenvolver seu programa de correio eletrônico e precisa de um caractere para separar a identificação do usuário do nome do provedor, de preferência indicando que o usuário está “em” tal provedor. De repente se depara com o símbolo “@”, bem na sua frente, no alto do teclado, significando “em”. Se você estivesse no lugar de Mr. Tomlinson, que símbolo escolheria?

6 comentários sobre “A origem do símbolo @

  1. Muito interessante e bem pesquisada a matéria, sem dúvida o símbolo "@" veio mesmo desta origem. Eu mesmo, quando criança, ví inumeras vezes as pessoas comprar e vender utilizado a arroba, principalmente, no peso de porcos e bois de corte.

  2. super bacana e interessante eu tinha em uma epoca pensado se esse arroba tinha mesmo a ver com peso se tiver sempre coisas bacanas pode me mandar no e-mail […]

Deixe um comentário: