A elegância do comportamento

Recebi outro e-mail interessante de Zé Rosa (daqui a pouco, vai acabar virando sócio :cool: ).

Como ontem recomeçaram as aulas na faculdade, pareceu-me adequado para uma reflexão de início de semestre…

A Elegância do Comportamento

Adaptado de Toulouse-Lautrec por Carlos Augusto Roveri*
toulouse_lautrec
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples ‘obrigado’ diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer… porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.

É elegante o silêncio, diante de uma rejeição…

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. É elegante a gentileza.

Atitudes gentis falam mais que mil imagens… Abrir a porta para alguém é muito elegante…
Dar o lugar para alguém sentar… é muito elegante…
Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma…
Oferecer ajuda… é muito elegante…
Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante…

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.

* Carlos Augusto Roveri é Administrador de Empresas pela FAAP (1977).
Adaptação de trecho do livro “Educação Enferruja por Falta de Uso” do pintor pós-impressionista francês Toulouse-Lautrec (1864-1901).

2 comentários sobre “A elegância do comportamento

  1. Caro José Luis, o texto é bom, mas fiz confusão com relação à autoria. Originalmente recebi este texto de um irmão, que me enviou por e-mail, no qual havia uma mensagem inicial ("Não há caminho novo. O que há de novo é o jeito de caminhar") atribuída a Thiago de Melo e eu pensei que o texto que vinha abaixo, publicado agora por você, era do mesmo autor.

    • Zé Rosa,

      Não é só você que faz essa confusão. Dei sorte em encontrar o texto de Patrícia Rabelo que trazia a autoria correta… :wink:

      Aliás, o texto dela está tão bom, que acho que vou escrever sobre ele depois… :smile:

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