toothpicks.jpgA Superinteressante de março de 2008 conta um pouco da história de Charles Forster, o “inventor” dos palitos de dente, uma bem-sucedida campanha de marketing!

Como fiquei curioso, procurei mais detalhes na Internet e encontrei uma matéria parecida (e um pouco mais completa) na Slate de 31 de outubro de 2007:oops:

De qualquer forma, segue a matéria da Superinteressante e alguns trechos interessantes da matéria da Slate:

O Pai do palito de dentes (e da necessidade de usá-lo)
Por Ayrton Mugnaini Jr.

superinteressante_2008_03.jpgUm dos mantras do capitalismo é ‘criar dificuldades para vender facilidades’. Nem sempre é fácil. Pegue-se, por exemplo, a necessidade de manter os dentes livres de sujeira, fiapos e outros resíduos nojentos. Para resolver esse problema prosaico, a humanidade passou a maior parte de sua história se virando com gravetos, espinhos, ossos e lascas de bambu. Diante da oferta de gêneros tão variados - muitos até gratuitos -, como alguém nos convenceu de que precisávamos comprar um apetrecho específico para a higiene bucal?

A resposta: com propaganda em quantidade e qualidade. Abusando desse ingrediente, o americano Charles Forster tornou-se o primeiro fabricante de palitos de dentes em escala mundial. Durante uma viagem a Pernambuco [...], ele ficou fascinado pelos belos dentes das brasileiras. O segredo é que elas faziam a higiene bucal usando palitos de salgueiro, uma árvore de galhos longos e finos (escovas de dentes já existiam, mas seu uso ainda era muito recente e pouco divulgado).

Percebendo que poderia monopolizar um mercado que nem existia, Forster contratou um inventor para criar uma máquina que produzisse lascas de madeira uniformes. Em 1870, sua fábrica já produzia palitos bons e baratos, a uma quantidade superior a 1 milhão por dia. Faltava vender aquela tralha toda. Sua tática foi tão engenhosa quanto simples: contratou rapazes e garotas estudantes da Universidade de Harvard para irem comer no restaurante mais descolado de Boston, o Union Oyster House e, em seguida, pedir em voz alta: ‘Por favor, palitos! Não tem? Mas como?’ Depois de alguns dias, bela coincidência, Forster entraria no lugar oferecendo sua mercadoria. O cara não parava por aí: quando vendia um lote de palitos, o negociante mandava pessoas ir comprá-los. E aí, os revendia novamente, aumentando ao mesmo tempo a oferta e a procura.

Daí para o sucesso, com o perdão do trocadilho, foi dois palitos. Os produtos de Forster garantiram lugar em bares e restaurantes e fizeram dele um milionário. Depois de sua morte, em 1901, seu filho Maurice tomou as rédeas do negócio de palitos e mostrou-se tão habilidoso quanto o pai, chegando a comprar todo o estoque de alguns concorrentes. A empresa seguiu independente até 1992, quando se rendeu à onda de fusões e passou pelas mãos de diversos donos. Hoje, os palitos Forster pertencem ao conglomerado americano Jarden, mas não são mais feitos na velha fábrica no estado de Maine. Na caixinha atual, lê-se um made in China, escrito em letras miúdas.

toothpick_gentlemen.jpgForster teve mais uma aliada: a moda.

Mastigar um palito em frente a um hotel de luxo sugeria que a pessoa havia comido naquele estabelecimento, mesmo que isso não fosse verdade. Por volta de 1870, mastigar palitos em público tornou-se moda entre homens bem sucedidos e, pouco depois, as jovens começaram a adotar a mesma prática. Ironicamente, hoje isso seria tomado como falta de educação na maioria dos lugares… :roll:

cotton_swabs.jpgA Slate lista outros usos dos palitos de dentes como: espetar cubos de queijo, azeitonas e outros tira-gostos, ou provar o ponto de bolos e assados em geral, costume tão arraigado que que levou os palitos a serem expostos mais próximos das massas de bolos do que das escovas de dente e fios dentais… :smile:

A matéria conclui lembrando que novos usos encontrados pelos consumidores podem inclusive dar origem a produtos completamente novos: como os cotonetes, inicialmente, palitos com chumaços de algodão enrolados nas pontas… :mrgreen:

Atualização: alterei a expressão “extremamente parecida” que usei ao citar a Superinteressante, por ter ficado com uma conotação inadequada.

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